Fórum Panafricano: Agricultura deve ser sustentável devido às mudanças climáticas – especialista

Casablanca, 07 Mar (Inforpress) – A co-fundadora do Movimento Terra e Humanidade de Marrocos, Fettouma Benabdenbi, afirmou que a agricultura deve ser sustentável uma vez que os recursos estão em deficit por causa das mudanças climáticas.

“A agricultura consome 80 por cento (%) da nossa água e o solo está esgotado, se não for sustentável e se não respeitarmos as restrições do aquecimento global, teremos problemas”, alertou esta especialista, durante um dos ateliês sobre mudanças climáticas que decorre no âmbito da III edição do Fórum das Mulheres Jornalistas de África, em Casablanca, Marrocos.

Fettouma Benabdenbi acrescentou que essa situação corre o risco de acelerar o aquecimento global e se isso acontecer a ameaça é para os seres humanos, por isso os decisores têm que fazer com que as pessoas apostem na agricultura sustentável, porque os recursos estão em deficit.

A agricultura, sublinhou, é parte da solução para assegurar a segurança alimentar dos países africanos e do mundo e ainda, para além de se adaptar às mudanças climáticas, é capaz de responder aos desafios de produção e de desenvolvimento sustentável.

Informou que 60% das terras aráveis que estão por explorado no planeta estão em África.  Portanto, o continente constitui um possível campo de aplicação para abordagens ao desenvolvimento de técnicas inovadoras.

Como benefícios da agricultura sustentável, a mesma apontou que a água e o solo não são poluídos por produtos químicos, não haverá fluxo migratório, uma vez que as pessoas ficam nos seis países e não são mais forçadas a se mudar porque terão trabalho, a saúde delas e da natureza será preservada, pois é uma agricultura orgânica.

“A África possui 1/4 da terra fértil do mundo e com a alta demanda por alimentos saudáveis ou orgânicos, desenvolveremos a nossa economia e venderemos nossos excedentes no exterior. Haverá mais trabalho, desenvolvimento do mercado e mais transacções”, perspectivou.

Actualmente há uma tendência das pessoas em deixar o campo e ir viver nas cidades, e essa urbanização que poderá atingir uma cifra de 60 a 80% da população, trará consequências para a cidade, e por outro lado, traz consequências para o campo.

“Com essa deslocação quem é que vai continuar a produzir comida para alimentar a cidade?”, questionou. Neste sentido, afirmou que é necessário pensar em produzir nas cidades e arredores, ou seja, apostar na agricultura urbana.

A III edição do fórum que teve início esta sexta-feira, 06, reúne 300 jornalistas de 54 países africanos para debater a questão da “Emergência Climática: Os média africanos como actores de mudanças”.

No dia de hoje, para além da continuação dos debates em ateliês, será votada a agenda de trabalho da rede “Os panafricanos” para o ano de 2020.

AM/ZS

Inforpress/Fim

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