Ambiente: África polui menos mas paga o preço mais alto das mudanças climáticas

Rabat 06 Mar (Inforpress) – O ministro dos Negócios Estrangeiro e da Integração Africana e de Marroquinos Residentes no Estrangeiro considerou que África vive um paradoxo, pois não há nenhuma responsabilidade na desregulação, mas é ela que paga o preço das mudanças climáticas.

No âmbito da terceira edição do Fórum Mulheres Jornalistas Africanas ‘Os Panafricanos, que acontece de hoje até sábado em Casablanca, Marrocos, as 300 jornalistas reuniram-se na tarde de quinta-feira, 05, com o governante Nasser Bourita no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Rabat.

No seu discurso de boas vindas, Nasser Bourita reconheceu o desenvolvimento e o trabalho desta rede criada em 2017, durante o primeiro fórum ‘Os Panafricanos’, uma iniciativa do canal televisivo e radiofónico 2M, em parceria com o Comité de Paridade e Diversidade.

No que toca à temática deste ano, sublinhou que há uma ligação entre os temas do ano passado e deste ano, imigração e emergência climática, porque com as mudanças climáticas há mais imigração e a ONU diz que 60 por cento (%)  de emigrantes climáticos  serão de África em 2050.

Neste sentido, defendeu que esta questão é para ser discutida em África e  para as mulheres africana debaterem porque são elas as mais afectadas pelas mudanças climáticas.

“São elas que carregam o fardo da procura de água, são elas as mais implicadas na agricultura e elas é que gerem as consequências sociais das mudanças climáticas, incluindo os deslocamentos forcados, a migração. Então é uma questão da actualidade e essencial para a África”, reforçou.

Por outro lado, lembrou que o continente africano é o que emite apenas 4% dos gases de efeito de estuda, mas é o continente mais afectado pelas mudanças climáticas.

Contudo, defendeu que já é hora de África evitar essa vitimização e levar a cabo acções e projectos concretas para o combate aos feitos das alterações climáticas.

“África deve agir com responsabilidade, sim. Não é o responsável pela desregulação, mas os países africanos devem ocupar desta problemática. E, é neste quadro que esta nova África, descomplexada, com a sua juventude deve conciliar o ‘playdoyer’ e acção”, frisou.

Defendeu ainda que é hora de passar dos discursos para acções no terreno e que neste quesito os medias também têm um “papel importante” para desenvolver este discurso.

Durante o fórum, que se inicia hoje, várias temáticas vão ser abordadas.

“Os desafios de uma obtenção racional de recursos hídricos”, “Agricultura sustentável: uma economia verde para África”, “Impacto sanitário das mudanças climáticas, que estratégias adoptar”, “Que desenvolvimento sustentável para as cidades africanas”, “Adaptação as mudanças climáticas, os medias como actores de mudanças”, “A gestão dos resíduos, uma alavanca para a luta contra as mudanças climáticas”, são os painéis em debate durante os dois dias do fórum.

AM/AA
Inforpress/Fim

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