Forças Armadas homenageiam com colocação de uma placa as 11 vítimas do Massacre de Monte Tchota

 

Cidade da Praia, 20 Abr (Inforpress) – As Forças Armadas cabo-verdianas vão homenagear as 11 vítimas do massacre de Monte Tchota, no concelho de São Domingos, com a colocação de uma placa no local com os seus nomes, por ocasião do primeiro aniversário do sucedido.

O anúncio foi feito em declarações à Inforpress pelo comandante da Guarda Nacional, o tenente coronel Armindo Sá Nogueira Miranda, que disse que a homenagem vai acontecer no dia 25 de Abril, numa cerimónia no destacamento militar de Monte Tchota, São Domingos, interior da ilha de Santiago, onde tudo aconteceu.

De acordo com o segundo homem no comando das Forças Armadas (FA), os familiares de todas as vítimas já foram convidados a participar na homenagem, sendo que as famílias dos militares das outras ilhas, as FA irão custear a deslocação, lembrando que dos três civis que prestavam serviços nas antenas daquele centro de telecomunicações, dois eram espanhóis.

“Estamos a preparar, em conjunto com o Ministério da Defesa, uma homenagem à altura e condigna para os malogrados e já foram criadas as condições para que os familiares possam deslocar-se ao local para poderem tomar parte na cerimónia onde será descerrado uma placa com os nomes das vítimas”, explicou.

De há um ano para cá, o tenente coronel garantiu que as Forças Armadas, que identificaram todos os familiares dos militares, têm estado em contacto permanente com os mesmos, tanto por telefone como pessoalmente, mas em relação ao autor do massacre, o soldado Manuel António Silva Ribeiro, conhecido por Antany, a situação é diferente.

O comandante sublinhou que depois dele ter sido julgado a 27 de Outubro de 2016 e condenado a 35 anos de prisão, pena máxima no sistema judicial cabo-verdiano, foi transferido para a Cadeia de São Martinho, na Praia, por não ser mais um militar. Mas revelou que, sem envolver-se directamente, as FA têm acompanhado o caso, tendo em conta onde tudo aconteceu.

Para além dos 35 anos de prisão pelos crimes de homicídio, Antany que também foi dado como culpado por furto, roubo e uso indevido de armas, foi ainda condenado a uma pena acessória de expulsão das FA e ao pagamento de uma indemnização de 11 milhões de escudos às famílias das vítimas.

Por outro lado, Armindo Sá Nogueira Miranda, que admitiu que o calcanhar de Aquiles de todo o sistema era a comunicação que “falhou” na altura do acontecimento, e não a segurança, garantiu que neste momento “tudo está normalizado” com a aquisição de equipamentos através da ajuda de parceiros internacionais, nomeadamente o Comando dos Estados Unidos para a África (AFRICOM).

“A precaução que tomamos tem que ver com a comunicação com os destacamentos, em que foi feito um conjunto de trabalho no sentido de melhora-la, não só com Monte Tchota, mas com os outros que temos pelo país todo, principalmente nas três regiões militares”, assegurou, indicando que já dispõem de rádios VHS e que foram criadas condições para manter a ligação via Centro de Operações de Segurança Marítima (COSMAR).

Quanto ao acompanhamento psicológico que muito foi criticado na altura, o comandante da Guarda Nacional revelou que durante muito tempo as Forças Armadas tiveram apenas um psicólogo, mas que agora já triplicaram esse número que fazem avaliação no terreno, inclusive no centro de instrução.

“O pessoal que estava em Monte Tchota na altura foi acompanhado por um psicólogo durante todo o tempo de recrutamento em Morro Branco, São Vicente, por isso, o que sucedeu não está relacionado com este campo, mas sim algo que aconteceu, pontualmente e não por falha dos técnicos ou por falta de acompanhamento”, reiterou.

Neste momento, o Comando do Estado Maior das Forças Armadas tem um novo responsável, o major general Anildo Morais, já que na sequência da tragédia, Alberto Fernandes, o então Chefe de Estado Maior das Forças Armadas, acabou por apresentar a sua exoneração.

DR/ZS

Inforpress/Fim

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