Foguenses divididos quanto à avaliação do primeiro aniversário do Governo de Ulisses Correia e Silva

São Filipe, 21 Abr (Inforpress) – A sociedade civil foguense mostra-se dividida quanto à avaliação do primeiro ano do mandato do Governo de Ulisses Correia e Silva, enquanto uns pedem “paciência” outros consideram que a ilha “não viu ainda qualquer sinal de mudança” na governação.

Entre as pessoas abordadas pela Inforpress na ilha do Fogo, uns fazem uma avaliação “positiva”, caso do contabilista Adriano Lopes, que considera que o orçamento de 2017, por exemplo, traz um conjunto de elementos novos que pode mudar a situação económico-financeira do país, por um lado, e por outro, porque o país tem funcionado na normalidade.

Para o professor da escola secundária Dr. Teixeira de Sousa e dirigente desportivo, Pedro Fernandes Pires, é necessário “ponderação e coerência” na avaliação do desempenho do actual Governo, que considera “positivo”, não obstante a existência de “muita expectativa” por parte do povo cabo-verdiano.

“É preciso ter calma, paciência, e esperar pela implementação dos projectos e no momento próprio fazer a avaliação, não podemos exigir tanto em pouco tempo”, disse, observando que os foguenses aguardam pelo fecho do anel rodoviário, a solução prometida para Chã das Caldeiras.

Acrescentou ainda que continuam à espera que a problemática da água para agricultura e criadores de gado seja resolvida, a iluminação do aeródromo de São Filipe, melhorias no porto de Vale dos Cavaleiros e melhorias no ambiente de negócio, e mais postos de trabalho, acrescentou o docente.

Segundo o mesmo, “a ilha continua a reivindicar o que tem direito”, principalmente em prol da camada jovem que continua na expectativa de ver instalado um polo universitário no Fogo para servir a região Fogo e Brava.

Para o jovem desportista dos Mosteiros João Alves, “em termos práticos houve mudanças”, embora considere que ainda é cedo para se fazer um juízo rigoroso da actuação do Governo.

No seu entender, a nível nacional, o Governo tem tomado algumas medidas estruturantes que, em breve, vão ter impacto e só depois é possível fazer-se uma avaliação mais aprofundada.

Outros há, entretanto, que avaliam negativamente o primeiro ano de governação de Ulisses Correia e Silva é “negativo”.

“Não houve nada de especial, foi muito discurso, muita falácia…já se tomaram medidas que não influenciam em nada”, avalia Artur Cardoso, funcionário publico, para quem no Fogo “ainda não se sentiu absolutamente nada” com o novo Governo.

“Em termos da retórica foi ouro sobre azul, mas vendo o que foi dito na campanha e compará-lo à prática o balanço é negativo, o cenário da ilha do Fogo continua a ser a ilha mais atrasada em todos os capítulos”, considera um outro sanfilipense de nome João José Pires, docente de profissão, sublinhando que, pelo contrário, criou-se muita expectativa, sobretudo na população de Chã das Caldeiras cuja vontade não foi satisfeita.

A crítica mais contundente do primeiro ano de governação do Governo suportado pelo MpD vem dos moradores de Chã das Caldeiras, para quem “a actuação foi desastrosa ao contrário dos compromissos baseados em marketing e auto promoção”.

“(…) se houvesse uma sociedade civil consciente ou crítica, este Governo estaria outra vez numa longa oposição”, disse Daniel Fontes, uma das vozes de Chã das Caldeiras que tem criticado o actual Governo, apontando o não cumprimento das promessas eleitorais.

Para um outro natural de Chã, Miguel Montrond, o desempenho foi “muito negativo” comparado com os recursos “disponíveis” e que, na sua óptica, poderiam ter resolvido os problemas da população, quando “se sabe que nenhum tostão dos cerca de 600 mil contos orçamentados em 2016 para Chã, foi gasto”.

Refira-se que, Miguel Montrond, que foi membro da Comissão Interministerial para os deslocados de Chã das Caldeiras, escreveu recentemente uma carta a manifestar a “decepção com o actual Governo”, uma vez que considera que “as promessas ainda estão engavetadas”.

Na altura, em entrevista à Inforpress, assegurou que das primeiras promessas do Governo, apenas a adega provisória foi cumprida e sublinhou que “o diálogo com a população, a acessibilidade e o novo assentamento, ainda não saíram do papel”.

O Governo liderado por Ulisses Correia e Silva completa este sábado, 22, o primeiro ano da tomada de posse.

JR/FP/ZS

Inforpress/Fim

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