Fogo/Água: Dívidas dos horticultores ultrapassaram um milhão de escudos em nove meses – MAA

 

São Filipe, 10 Abr (Inforpress) – As dívidas acumuladas pelos horticultores da zona sul da ilha, desde Julho de 2016, ascendem a 1.300.000 escudos e como foram notificados a pagar resolveram manifestar-se pela falta de água, disse o delegado do MAA.

Jaime Ledo de Pina considerou a manifestação de sexta-feira realizada por um grupo de horticultores, e que fazem parte da lista de 67 horticultores que há nove meses não pagam a água, como “fuga em frente”, já que os mesmos foram notificados para regularizar a situação a partir de 31 de Março passado, sob pena de não se continuar com o abastecimento.

Desde Julho de 2016, altura em que a gestão de água para agricultura passou de forma provisória para a delegação do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA), até que se faça o estudo nacional para se encontrar o modelo, foram distribuídos mais de 73 mil metros cúbicos de água a 122 agricultores, uma média de 8.151 metros cúbicos mensais, segundo o delegado.

As despesas com distribuição ascendem a 3.433 contos e as receitas situam-se à volta de 1.472 contos, apresentando assim um défice de cerca de dois mil contos, sem contar com encargos da energia eléctrica nas bombagens, explica Jaime Ledo de Pina, indicando que 67 agricultores têm uma dívida acumulada de 1.349 contos, motivo pelo qual foram chamados a regularizar a situação.

“Ao invés de virem individualmente negociar um plano de pagamento da dívida, que seja exequível, resolveram manifestar-se”, disse o delegado do MAA, que desafia qualquer um dos horticultores a apresentarem elementos concretos que provam a “falta de transparência” na distribuição de água ou de “má gestão”, observando que a transferência da gestão para a delegação deveu-se à gestão “sem suporte legal” pela Associação, além de outras reclamações.

A este valor em dívida, acresce outras dívidas do tempo em que a água era gerida pela Unidade de Gestão de Água para Rega (UGAR) e pela Associação dos Agricultores e Criadores de Gado, cujo montante não foi revelado.

Este reconhece que o preço da água é superior à das outras regiões do país, mas mesmo assim está aquém dos custos reais da sua exploração, nomeadamente com energia eléctrica nas bombagens a partir de furos para a zona alta.

“Apesar da penúria e do custo da água, vários agricultores tendem a aumentar as suas parcelas irrigadas e a utilizar mais água do que o necessário em muitas culturas”, salienta o delegado do MAA, indicando que sessões de formação foram realizadas e que o mistério recomendou aos mesmos a enveredar pela fruticultura que tem melhores condições de rendimento em vez de apostar na horticultura.

Para Jaime Ledo de Pia, devido a “erros técnicos” cometidos no equipamento dos furos e na execução das redes, o MAA tem estado a realizar intervenções técnicas, nomeadamente na zona onde em Julho de 2016 havia um único furo para agricultura e neste momento tem três furos só para este sector, além de investimentos na substituição da parte da rede.

Este disse que contrariamente ao que os horticultores afirmam, o ministro da Agricultura não prometeu baixar e uniformizar o preço da água, mas disponibilizou-se para negociar e perdoar parte da dívida antiga (anterior a Julho de 2016), resolver os problemas técnicos, formação sobre irrigação, promessas que foram ou estão a ser cumpridas.

O delegado do MAA pediu calma aos agricultores e apelou aos mesmos para individualmente negociarem o pagamento das dívidas para ajudar a tornar o sistema sustentável.

Jaime Ledo de Pina indica ainda que quem não pagar as dívidas deixará de ter água, observando que a delegação vai analisar caso a caso e definir o prazo para corte no fornecimento de modo a evitar perdas da cultura que está em curso.

A título de exemplo, indica, técnicos da delegação vão visitar as parcelas irrigadas e ver o estado da cultura e o prazo para a produção e a partir daí o horticultor é notificado de que, caso não saldar a dívida deixará de ser abastecido a partir do fim do ciclo da produção.

Na última sexta-feira, recorda-se, um grupo de horticultores da zona sul e centro da ilha manifestou-se junto da delegação do MAA devido a escassez de água e ao preço elevado.

JR/ZS

Inforpress/Fim

 

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