Fogo: Transferência de pacientes para outros hospitais com redução superior a 40 por cento – director do hospital

São Filipe, 09 Jan (Inforpress) – A taxa de transferência de pacientes do hospital regional São Francisco de Assis para outros estabelecimentos hospitalares, nomeadamente Agostinho Neto, registou uma redução superior a 40 por cento (%), disse Evandro Monteiro.

O director do hospital regional São Francisco de Assis lembrou que há pouco mais de quatro anos, a transferência de doentes para o hospital Agostinho Neto, na Praia, chegou a atingir três centenas/ano e que o hospital conseguiu reduzir paulatinamente ao longo dos anos.

A principal causa de transferência de doentes do hospital e da região está relacionada com a questão de fórum orto-traumatológico, mas com a colocação de especialista na área de ortopedia muitos casos foram resolvidos localmente, sublinhando que num espaço de pouco mais de três meses o especialista realizou cerca de meia centena de cirurgias no bloco operatório, além de outras actividades, apesar da situação da pandemia da covid-19.

Relacionado com transferência de doentes, nos primeiros anos, o hospital começou a centralizá-la a nível da região sanitária em que as demais estruturas, centros e delegacias, passaram a encaminhar os pacientes para o hospital, b que depois da avaliação, triagem e tratamento, encaminhavam os que não eram possíveis de fazer o tratamento a nível do hospital regional para outros estabelecimentos.

“O hospital está melhor preparado para enfrentar situações de urgência e de emergência, sejam obstétricas, cirúrgicas ligadas a traumas, oftalmológicas, assim como a capacidade de seguimento local de pacientes operados noutros hospitais”, afirmou.

O responsável reconheceu a necessidade de melhorar ainda mais este sector, razão pela qual a direcção já elaborou uma lista de materiais necessários para ortopedia, como fez no passado para outras especialidades, sendo que parte dos equipamentos/materiais está identificada pelos serviços centrais.

Por outro lado, destacou o facto de mesmo no contexto da covid-19, a mortalidade geral não ter sofrido mudança significativa, incluindo a mortalidade provocada pela nova infecção viral, e nem impacto na prestação dos cuidados a nível das estruturas periféricas com a manutenção da descentralização de consulta de todas as especialidades.

Por esta razão, o director, neste início do ano, desejou muita força aos profissionais de saúde e agradeceu aos parceiros pela “luta incansável”, às autoridades centrais pelo engajamento para melhorar a capacidade local de repostas, como a instalação de equipamentos no laboratório, aumentando a capacidade de se estudar, ter respostas locais e conseguir um plano de trabalho baseado nas respostas quase que diária.

O hospital regional São Francisco de Assis surgiu com a extensão/ampliação do centro sócio-sanitário, construído em 2002, tendo iniciado, em 2016, uma nova etapa enquanto hospital de referência para as ilhas do Fogo e da Brava.

Alguns espaços foram remodelados e adaptados para a instalação de serviços como o da farmácia, com condições para armazenamento e distribuição de medicamentos a nível do hospital, de interrupção voluntária da gravidez que funciona com normalidade, assim como a área de reabilitação física e motora de pacientes traumatizados, cirúrgicos e de doentes internados.

“O hospital fez investimento no espaço físico, mobilizou parcerias e conseguiu equipar um espaço de fisioterapia que trouxe valências múltiplas para o hospital na capacidade de respostas”, disse o director que apontou como exemplo a actividade associada ao serviço de fisioterapia em pacientes com neuropatias congénitas e adquiridas e com deficits motoras acentuadas, sobretudo de crianças com paralisia flácida-aguda.

Os pacientes são abordados por uma equipa multidisciplinar, integrada por psicólogos, nutricionista, pediatras, fisioterapeuta e fisiatra, sendo São Francisco um dos poucos hospitais que conta com fisiatra, o que no dizer de Evandro Monteiro trouxe ganhos enormes para o estabelecimento.

Apesar disso, reconhece que há necessidades de outras intervenções para melhorar a respostas do serviço de fisioterapia, lembrado que o hospital conseguiu mobilizar parcerias internacionais para a montagem de um serviço de reabilitação pélvica ligado a complicações pós e pré-partos, que estava programado para o ano passado, mas que por causa da covid-19 foi adiado e será retomado com a normalização da situação da covid, aumentando a capacidade de respostas e a possibilidade de fazer fisioterapia nas gestantes.

Igualmente, o responsável do hospital destacou as intervenções realizadas nos últimos anos no serviço de oftalmologia, com aquisição de equipamentos adequados para cirurgia oftalmológica a nível da ilha, além da melhoria da capacidade diagnóstica.

O director do hospital avançou ainda que o aparelho de mamografia doado por uma instituição está na fase terminal da sua instalação e que no decorrer deste ano o estabelecimento hospitalar vai dar seguimento a um plano elaborado no ano passado, mas que por causa de covid ficou suspenso, que consiste na realização de rastreio da patologia do cancro mamário a nível da região e a custo zero para as pessoas com factor de riscos e com sintomatologia.

JR/JMV

Inforpress/Fim

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