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Fogo: Projecto de conservação das aves marinhas de Cabo Verde permitiu maior conhecimento de Gon-gon (c/áudio)

São Filipe, 11 Jan (Inforpress) – A implementação da primeira fase do projecto de conservação das aves marinhas de Cabo Verde permitiu um maior conhecimento cientifico de Gon-gon (Pterodroma feae), da área de reprodução e das principais ameaças desta espécie.

Ao analisar os resultados obtidos na primeira fase do projecto de conservação das aves marinhas de Cabo Verde, financiado pela Fundação Mava e coordenado pela “Bird Life international”, o especialista e professor de Zoologia da Universidade de Barcelona, Jacob Salvatore Gonzalez, destacou o trabalho realizado com o Gon-gon, uma espécie endémica de ave marinha de Cabo Verde mais ameaçada.

Quando se iniciou, há três anos, o projecto mal se conheciam os locais de reprodução com poucos ninhos na ilha do Fogo e nenhum ninho nas demais ilhas, disse Jacob Gonzalez, observando que neste momento, só na ilha do Fogo foram identificados cerca de 60 ninhos de Gon-gon, o que representa uma grande mudança e um aumento do conhecimento importante para esta espécie para gerir melhor as ameaças, evitando a sua extinção.

Um dos trabalhos realizados ao longo destes anos está relacionado com a demografia de Gon-gon para compreender a tendência da sua população e o resultado indica que a população desta espécie está a diminuir por causa das diferentes ameaças.

A depredação pelos gatos constitui a ameaça mais importante e foram encontrados muitos Gon-gons mortos pelos gatos, disse o especialista, salientando que outro problema importante são os ratos que atacam, sobretudo, os ovos e/ou os filhotes que são vulneráveis.

O factor humano constitui outro problema e ameaça a esta espécie, porque, explicou, “infelizmente ainda o Gon-gon está a ser perseguido pelo homem, que continua a apanhá-lo para suposto remédio”, apesar de “não corresponder à verdade e não faz nenhum sentido”, e noutros casos para comer.

Outra ameaça importante é a poluição luminosa já que esta espécie é muito sensível a poluição luminosa e não reproduz nos locais com muita luz à noite.

Jacob Gonzalez disse que o desenvolvimento de Cabo Verde é acompanhado da poluição luminosa com candeeiros nas estradas e esta situação está a afectar o Gon-gon, defendendo que num raio de dois quilómetros nas zonas de reprodução não devia ter muitas luzes para evitar a perda da sua população.

Por esta razão defende que nestes locais as luzes deviam ser modificadas para reduzir a poluição luminosa, vincando que os responsáveis do projecto iniciaram contactos com a Electra e com as Câmaras Municipais para analisar esta problemática visando a colocação de outro tipo de candeeiro que não produz tanta poluição.

O projecto, na primeira fase, realizou campanha de castração de gatos, colocou armadilhas nas proximidades dos ninhos de Gon-gons para diminuir a depredação, promoveu campanha de sensibilização e consciencialização da população, nas comunidades e nas escolas, sobre a importância de preservar esta espécie endémica, assim como o seu valor para Cabo Verde e das razões da sua preservação.

Além de Gon-gon, o projecto trabalha com as outras espécies de aves marinhas em Cabo Verde e, no dizer de Jacob Gonzalez, existem dois tipos de ameaças já que as aves que estão a reproduzir nas ilhas principais sofrem determinados tipos de ameaças e as que estão a reproduzir nos ilhéus sofrem ameaças diferentes.

As que reproduzem nas ilhas são o Gon-gon e o Rabo de Junco e as ameaças estão relacionadas de uma forma directa ou indirecta com o homem, gatos e ratos e as instituições parceiras do projecto já encontraram pessoas a apanharem, por exemplo o Rabo de Junco, sobretudo nas ilhas da Boa Vista e Sal, já que nesta última existe uma grande quantidade desta espécie e considerada a importante colónia de toda Costa Ocidental Africana com mais de 500 casais.

O projecto está a colocar câmara de foto nos ninhos de Rabo de Junco e de Gon-gon para tentar entender quais as ameaças e o projecto dispõe de fotografias de todo o tipo, desde pessoas a tirarem os animais do ninho, a depredação pelos gatos, ratos e até de cães vadios para encontrar a solução.

Quanto às espécies que reproduzem nos ilhéus e na ilha de Santa Luzia, como João Preto, Pedreirinho, Pedreiro Azul, Alcatraz as ameaças importantes estão relacionadas com a visita ilegal dos pescadores a estas áreas, que além da perseguição directa das aves, apanhando-as, mas o mais importante é o risco que as visitas incontroladas representam com introdução de espécies invasoras como ratos e ratazanas.

“Se acontecer pode acabar com toda a reprodução das aves marinhas e é um risco importante”, disse Jacob Gonzalez, observando que é um problema que existe e que o Governo de Cabo Verde não está a tomar consciência do seu impacto na biodiversidade.

A falta de fiscalização e de interesse para controlar os espaços, legalmente protegidos existe e pese embora ser uma obrigação de fiscalizar e controlar as visitas para estes espaços, como acontece com os investigadores que são obrigados a ter uma autorização da Direcção Nacional do Ambiente para visitar os ilhéus, os pescadores e outras pessoas entram e saem sem nenhum tipo de fiscalização.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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