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Fogo: Projecto de captura acidental de tartarugas e aves marinhas implementado em seis países de África Ocidental

São Filipe, 12 Mar (Inforpress) – O projecto de captura acidental de tartarugas e aves marinhas na parte ocidental do continente africano, em fase de implementação, contempla seis países, incluindo Cabo Verde.

Financiado pela Fundação MAVA este projecto vai tentar compreender o impacto das pescas industriais sobre as populações das aves marinhas e das tartarugas, salientando que muitas aves e tartarugas morrem na sequência das pescas, particularmente na pesca de palangre constituída por uma linha principal, forte e comprida, de onde dependem outras linhas secundárias mais curtas e em grande número de anzóis com iscos que são colocados atrás dos barcos.

O professor de Zoologia da Universidade de Barcelona, Jacob Gonzalez Solis, que há 15 anos colabora com as autoridades cabo-verdianas nos trabalhos da conservação das aves marinhas e outras espécies endémicas, indicou que quer as aves como as tartarugas ao apanharem os iscos acabam por morrer, já que, muitas vezes, ao recolher os palangres os pescadores não retiram os anzóis dos animais, tendo assim impacto importante na mortalidade das aves e tartarugas marinhas.

Em relação a Cabo Verde, este indicou que ainda não se sabe qual a espécie mais afectada pelas pescas industriais, já que a maioria das frotas pesqueiras são estrangeiras.

Este apontou que Cabo Verde beneficia da influência da corrente das Ilhas Canárias que levanta os nutrientes do fundo e leva-os para a superfície, faz com que muitas aves marinhas que estejam a reproduzir na Europa passem o inverno nesta área, assim como as que reproduzem em Cabo Verde podem estar a morrer nas pescas industriais.

Segundo o mesmo, algumas espécies como o Alcatraz europeu é a mais afectada, assim como as Cagarras das Ilhas Canárias, mas não há dados da mortalidade das Cagarras de Cabo Verde, sendo por isso uma questão que está sendo analisada no quadro do projecto.

De entre as acções do projecto, Jacob Gonzalez Solis apontou a colocação de GPS nas Cagarras de Cabo Verde que se alimentam à frente da costa ocidental africana e muitas vezes estão associadas aos barcos, estando assim expostas a este tipo de ameaça.

Outra actividade é a colocação de detector de radar para saber quando a ave marinha está perto de um barco, que na maioria tem um radar para poder navegar, permitindo assim segui-las durante o tempo que acompanham o barco para compreender em que lugar, o tipo de pescas e o risco que representa para esta espécie.

Este projecto de captura acidental de tartarugas e de aves marinhas nas pescas industriais pretende igualmente fazer o seguimento por telemetria de aves marinhas, mas sublinhou que a Birdlife International está a coordenar o projecto, vai ter um observador a bordo dos barcos para estudar os problemas e saber se as aves marinhas ou tartarugas estão nesta situação.

“Já começaram a fazer isso com vários países africanos e estão a organizar o programa de observadores em Cabo Verde para que algumas pessoas possam estar nos barcos e fiscalizar o que acontece com as capturas acidentais de tartarugas e aves marinhas”, referiu o professor.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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