Fogo: PAICV acusa Governo de bloquear acesso da população aos complexos Casa para Todos

São Filipe, 26 Jul (Inforpress) – A Comissão Política Regional do PAICV (oposição) do Fogo acusou hoje o Governo de bloquear o acesso da população de São Filipe aos complexos habitacionais Casa para Todos.

Em conferência de imprensa para o balanço do ano político numa altura em que se prepara o debate do estado da nação, a Comissão Política Regional do PAICV, através do seu presidente, Luís Nunes, disse que em São Filipe o programa comporta 84 apartamentos, sendo 24 de classe A, na localidade de Cobom e 60 de classes B e C, no bairro de Xaguate.

“O acesso está sendo bloqueado pelo Governo numa atitude de desresponsabilização e má-fé pensada e baseada apenas na defesa dos interesses político-partidários do MpD, ignorando pura e simplesmente a sua responsabilidade na defesa dos interesses do povo de São Filipe”, disse o presidente da CPR.

Luís Nunes indicou ainda que se está perante “um governo negacionista” que nega o direito à habitação que assiste aos jovens e famílias e que está consagrado na Constituição da República.

“O que estranhamos é que o governo adote uma postura diferente em relação às câmaras geridas pelo MpD e não se compreende a política de dois pesos e duas medidas posta em prática por este governo”, disse Luís Nunes para quem a concessão do acesso às populações aos complexos onde o MpD é poder foi “rapidamente facilitada pelo governo”.

A CPR do PAICV indica que um relatório de 2019 da Imobiliária Fundiária Habitat (IFH) apontava que para a conclusão dos apartamentos de Cobom e de Xaguate seriam necessários 18.600 e 79.700 contos e que havia um remanescente do projecto na ordem de 19 mil contos.

“Neste quadro a câmara de São Filipe propôs a IFH e ao Governo a passagem das casas para o domínio municipal e que a câmara seria responsável pelas suas conclusões”, salientou Luís Nunes, indicando que a proposta foi ignorada e que o Governo avançou com uma contraproposta para a venda dos apartamentos por 54 mil e 71 mil contos para Cobom e Xaguate, respectivamente.

Para o PAICV, o importante não é o valor para a conclusão e a câmara está disponível a concluir as habitações e passar às famílias, mas sim, esta “discriminação em relação aos municípios” onde o MpD é poder.

Segundo o principal partido da oposição, o problema vem arrastando desde 2016 e que a CPR ficaria satisfeita se resolvido, quer a situação de Cobom como de Xaguate que são apartamento de classes B e C que podem servir a jovens casais que estão à procura de primeira habitação e é uma forma para atrair jovens quadros para a ilha.

Além da questão da habitação, na conferência de imprensa a CPR registou “com preocupação” e “enorme insatisfação” a prestação do Governo, fazendo uma avaliação negativa já que os grandes compromissos assumidos para com a ilha  “nenhum ainda saiu do papel”, nomeadamente a conclusão do anel rodoviário, o aeroporto de médio porte e necessário para o desenvolvimento do turismo e a questão do ensino superior.

“Estamos perante o falhanço total do actual Governo quanto ao seu compromisso e responsabilidade na criação de empregos qualificados e bem remunerados, principalmente para os jovens, e que permite às famílias o acesso ao rendimento”, referiu o presidente da CPR do PAICV.

A CPR do PAICV exortou o governo a dar um sinal positivo de que a população de São Filipe e da ilha do Fogo não está sendo discriminada negativamente pelas suas políticas.

Igualmente, apelou ao Governo que cumpra as suas obrigações com os municípios da ilha, no âmbito dos contratos-programa assinados e transfira os montantes em dívidas para que estes possam concluir os projectos e assim gerar emprego e rendimento para as famílias.

JR/CP

Inforpress/Fim

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