Fogo: “Sector da pesca é tido como um apêndice no sector portuário e ao transporte de passageiros” – ministro

São Filipe, 09 Mai (Inforpress) – O ministro do Mar, Abraão Vicente, disse hoje que o sector da pesca é tido como um apêndice no sector portuário e ao transporte de passageiros e de cargas.

Abraão Vicente, que cumpriu hoje o segundo de três dias de visita à ilha do Fogo, esteve no porto de desembarque de Salinas, zona norte, e no cais de pesca do porto de Vale dos Cavaleiros, além de visitar serviços ligados ao seu ministério.

Face às preocupações e reivindicações que são antigas, Abraão Vicente indicou que “há sempre soluções para os problemas” que, segundo o mesmo, combate-se com uma organização institucional e uma logística bem afinada.

O titular da pasta do Mar disse que custa acreditar que não haja estruturas de apoio aos pescadores que operam no cais de pesca de São Filipe o que, no dizer do governante, mostra que as instituições ao longo dos tempos não têm prestado atenção devida ao sector da pesca.

“A conclusão que se tira a nível nacional é de que com um pouco mais de atenção e de dedicação à logística do sector a situação seria outra”, advogou Abraão Vicente, sublinhando que é preciso fazer tudo de raiz.

Para o ministro do Mar, Vale dos Cavaleiros tem uma estrutura que podia ser funcional, mas não funciona devido ao assoreamento do cais de pesca, observando que podia ter outra dignidade casos os pescadores tivessem outras condições para, por exemplo, guardar os seus motores e outras pertenças da pesca, deixando claro que o Estado e a municipalidade terão de assumir as responsabilidades em criar essas condições.

Em Salinas, zona norte do município de São Filipe, Abraão Vicente disse que os pescadores afirmam que os engenheiros e quem fez as obras não ouviram a experiência de quem conhece aquela zona e o arrastadouro está sendo devorado pelas ondas e pelas marés.

“Temos de repensar e, provavelmente, reconstruir o arrastadouro o que dá pena porque são recursos públicos deitados ao mar”, pontuou o titular da pasta do Mar.

O sector da pesca, no que toca às infraestruturas, em São Filipe, precisa de uma outra capacidade de produção de gelo, já que não há uma máquina de produção de gelo a funcionar no porto e a unidade de produção da cooperativa de pesca, além de distante, não é usada e também não é bem gerida.

“Existem infraestruturas sem uma conexão”, referiu Abraão Vicente, para quem é preciso ter mais acesso a crédito e passar da pesca artesanal para semi-industrial requer infraestruturas, sublinhando que não consegue incentivar um emigrante ou um empresário do Fogo a comprar um barco semi-industrial se o cais de pesca está sempre assoreado.

O Ministério do Mar vai rever o memorandum de cada uma das visitas às ilhas e propor um plano concreto de reinvestimento e correcção de algumas medidas e infraestruturas construídas que neste momento não servem o sector da pesca, salientou Abraão Vicente.
O presidente da câmara de São Filipe, Nuías Silva, que acompanhou o ministro do Mar nas deslocações no seu município, disse que neste momento a câmara tem uma perspectiva daquilo que deve fazer para transformar a pesca num sector produtivo.

“O sistema de pesca que temos e os níveis de organização à volta de cadeia de valor no sector da pesca, nomeadamente o modelo de associação de pesca não funciona, o cais de pesca não dispõe de infraestruturas básicas para que a pesca pudesse ser um sector económico capaz de gerar oportunidades”, destacou Nuias Silva, sublinhando que a sua câmara pretende alterar a perspectiva assistencialista.
Para tal, apontou como exemplo a aquisição de seis embarcações que vão ajudar a transformar e apostar na empresarialização do sector, começando com a criação de cooperativas.

“O projecto para aquisição da máquina de gelo já foi submetido e está financiado pela Direcção Geral dos Recursos Marinhos, faltando assinar o contrato”, disse Nuías Silva que está a negociar com o Governo a possibilidade de se instalar a máquina de gelo da Coopesca na zona do porto até receber a nova máquina.

O edil de São Filipe avançou que a gestão autárquica anterior não colaborou na infraestruturação econômica e que São Filipe só altera o paradigma de competitividade e passará a ser um município competitivo e gerador de rendimento se houver investimento em infraestruturas económicas capazes de produzir externalidades.

“Estamos a tentar inverter este ciclo em parceria com o Governo, submetendo projectos económicos mais fundacionais e activadoras de oportunidades”, defendeu Nuías Silva, indicando que em relação a Salinas, é necessário ter um novo projecto porque foi desperdiçado todo o dinheiro e as infraestruturas nem sequer chegaram a ser entregues.

Segundo o mesmo, o novo projecto para Salinas já foi finalizado e nos próximos dias será socializado com o Governo para mobilizar os investimentos, adiantando que o projecto vai transformar Salinas.

“É um projecto de mais de 100 mil contos que transformará toda a localidade, desde a parte da estrada, passando pelo cemitério de Marcela, a parte balnear, turística, a zona piscatória e a instalação do posto de combustíveis rural para abastecer os pescadores”, disse Nuías Silva, observando que muitas vezes as mudanças provocam algum cepticismo e alguma desconfiança no início.

Na terça-feira, último dia da visita, Abraão Vicente vai estar no município de Santa Catarina com deslocação à zona piscatória de Alcatraz, onde a câmara está a construir uma infraestrutura de apoio aos pescadores, seguido de encontros com a câmara e com os pescadores e peixeiras daquele município.

JR/JMV
Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos