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Fogo: Mosteiros encontra-se mergulhado num mar de tristeza sem precedentes – Carlos Fernandinho Teixeira

São Filipe, 18 Jan (Inforpress) – O município dos Mosteiros encontra-se mergulhado num “mar de tristeza sem precedentes”, desde o último dia do ano de 2019, disse hoje o presidente da Câmara durante a cerimónia de homenagem ao jovem Luís Giovani dos Santos Rodrigues.

Ao falar na cerimónia de homenagem prestada pelas autoridades locais e centrais, Carlos Fernandinho indicou que “Mosteiros assiste neste dia, com tristeza, revolta e desconsolo, a despedida prematura de um dos seus filhos mais queridos, o Luís Giovani Rodrigues”, tendo exprimido, em nome da câmara, aos pais, familiares, amigos “as mais sentidas condolências e a mais firme solidariedade”.

“A edilidade está de luto. Mosteiros, a ilha do Fogo e o País, também em profunda comoção, despedem-se de um dos jovens que mais admiravam e a quem foi roubado, aos 21 anos, a oportunidade de viver”, disse o autarca, indicando que ele foi assassinado em “circunstâncias de terror”, resultantes, ajuntou, da “intolerância e do ódio”.

E para que haja alguma redenção nos corações, o autarca diz acreditar a que a justiça será feita.

No dizer do edil, ao longo da sua curta vida, Luís Giovani Rodrigues conquistou o carinho e a estima de todos, por ser um jovem “amigo e respeitado”, um devoto de sua fé religiosa e um músico, que tantas alegrias trouxe, salientando que era uma “pessoa dotada de qualidades humanas excepcionais”, com uma humildade e com uma afabilidade invulgares, com a simplicidade daqueles que eram promissores.

Luís Giovani Rodrigues, no dizer do autarca, era um rapaz “cheio de vida que irradiava alegria por se sentir mais próximo do futuro, de realizar seus sonhos e concretizar seus projectos, vincando que “é esta a imagem que dele guardo”

Este aproveitou a ocasião para, solenemente, exprimir o reconhecimento pelas expressões de solidariedade advindas de milhares de pessoas, cabo-verdianas e outras, todas elas comungando o sentimento colectivo de tristeza, revolta e desconsolo, sublinhando que “Cabo Verde, nestas ilhas e na diáspora, chora esta morte imerecida e prematura de Luís Giovani Rodrigues e que Mosteiros está oficialmente de luto”.

A melhor forma de o homenagear, explicou, é seguir o seu exemplo enquanto ser humano, afirmando que a ele terá um lugar cativo no coração de cada um dos mosteirenses.

O presidente do Instituto Politécnico de Bragança, Orlando Rodrigues, que veio aos Mosteiros expressamente para participar no funeral do jovem, disse que a comunidade estudantil de Bragança, a diocese, toda a região, a comunidade e Portugal inteiro estão a sofrer com os familiares e com a ilha.

Este disse que partilha, sobretudo, com a família de Giovani, esta “dor e que sofre com ela embora seja inimaginável a dor que possa sentir uma família numas circunstâncias dessas ao perder um dos filhos mais queridos em condições tão trágicas”.

“Infelizmente, o mal esconde-se entre nós, o mundo é injusto e leva os nossos melhores filhos, por vezes, de forma tão dramática e trágica”, disse Orlando Rodrigues, vincando que é impossível imaginar o que possa sentir uma família, um povo ao perder um filho tão especial como era o Giovani.

Orlando Rodrigues disse que o Instituto ficou rendido à nobreza do carácter do pai de Giovani, porque, explicou, a nobreza que ele e a ilha demonstraram nesta circunstancia, “suportando esta dor imensa e ao mesmo tempo mantendo a inteligência para fazer o que era preciso fazer e reconhecendo que o mal, infelizmente, não afecta todas as nossas comunidades e que o mal é pontual e que devemos honrar a memoria de Giovani para erradicar o mal das nossas comunidades”.

O cortejo fúnebre partiu da capela de Nossa Senhora de Fátima, em Fajãzinha por volta das 08:30 horas, percorrendo os cerca de três quilómetros, passando pela residência do pai em Queimada Guincho, antes de chegar ao átrio da Câmara dos Mosteiros, onde foi prestado a homenagem que contou com a presença de autarcas, deputados nacionais e eleitos municipais, de entre outras individualidades.

Os cinco suspeitos da morte de Luís Rodrigues vão aguardar julgamento em prisão preventiva indiciados pelos crimes de homicídio qualificado e três tentativas de homicídio, determinou o tribunal, que afasta a motivação por ódio racial.

A decisão, lida aos jornalistas cerca na sexta-feira por uma funcionária judicial, refere que depois do primeiro interrogatório judicial, o tribunal decidiu sujeitar todos os cinco arguidos a prisão preventiva.

A morte do jovem, que tinha chegado à região há pouco mais de um mês para estudar na escola de Mirandela do Instituto Politécnico de Bragança, motivou reacções institucionais de Portugal e Cabo Verde.

Os apelos à Justiça e à não-violência traduziram-se também em marchas de homenagem ao jovem cabo-verdiano, no passado sábado.

No dia 28 de Janeiro está prevista uma homenagem ao estudante, durante as comemorações do dia do Politécnico de Bragança.

JR/Lusa/JMV

Inforpress/Fim

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