Fogo: Moradores denunciam famílias com casa própria beneficiadas com assentamento – deputados do PAICV

São Filipe, 19 Mai (Inforpress) – Os deputados do PAICV (oposição) eleitos pelo círculo eleitoral do Fogo denunciam “reclamações e intransparências” na escolha final dos beneficiários com lotes para construção de habitação em Chã das Caldeiras.

Ao fazer o balanço no final da visita de uma semana ao círculo, a deputada Eva Ortet disse que alguns moradores afirmam que existem famílias com casas já construídas, em Chã das Caldeiras, ou casas em Achada Furna, construída na erupção de 1995, e que foram contempladas.

A mesma fonte indicou que alguns moradores afirmaram, inclusive, que a família da vereadora responsável pelo projecto e com casa construída em Chã das Caldeiras, foi contemplada com o novo assentamento e que várias pessoas que estavam inicialmente inscritas viram seus nomes retirados da lista.

“Pensamos que a lista deve ser divulgada e com a máxima transparência e objectividade para se evitar especulações desnecessárias”, disse a mesma fonte, observando que pessoas sem habitações foram retiradas da lista, enquanto outras com habitações foram beneficiadas o que, segundo a deputada, configura “alguma injustiça”.

“O objectivo inicial seria de beneficiar as famílias que estão na renda, mas não foi isso que aconteceu”, acrescentou a deputada, salientando que “há famílias que não estavam no sistema de renda, mas que foram beneficiadas”.

Para os deputados do PAICV, no plano de ordenamento de Chã das Caldeiras a comunidade sempre exigiu mais diálogo e discussão, uma vez que não estava de acordo com a zona do novo assentamento, em Bangaeira, por ser considerado, em vários estudos, como sendo de “alto risco”.

Volvidos oito anos após a erupção de 2014, “apesar de as autoridades gabarem do ordenamento urbano”, em Bangaeira, para novas construções, cada um, em função das circunstâncias, tem-se esforçado para poder se abrigar, iniciando construções desordeiras, um pouco por todo o lado, sintetizou a deputada.

“Perante este cenário, razoável e lógico, seria que a contribuição financeira dos governos, central e local, fosse para que cada família desse continuidade ou o melhoramento às suas construções e a construção de raiz para as famílias que não conseguiram iniciar a sua habitação”, advogou a parlamentar do PAICV.

Por outro lado, Eva Ortet disse que os moradores queixam-se de “alguma deficiência” no abastecimento de água em Chã das Caldeiras e da morosidade no pagamento de fornecimento de materiais de construção de estradas pela empresa responsável pela obra, que, por sua vez, aguarda o pagamento de dívidas da parte do Governo

Os parlamentares do PAICV apelam às autoridades para, definitivamente, reunirem-se com a comunidade, negociar e resolver os problemas de Chã das Caldeiras, uma vez que estes não podem ficar eternamente na condição de deslocados e sem verem os seus problemas definitivamente resolvidos e encerrados.

JR/AA

Inforpress/Fim

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