Fogo: Lanzarote vai apoiar a ilha na implementação do geoparque e candidatura à reserva natural de biosfera

 

São Filipe, 26 Abr (Inforpress) – A ilha de Lanzarote (Canarias) vai apoiar na elaboração e implementação do projecto geoparque e candidatura da ilha do Fogo à reserva natural de biosfera junto da Unesco e assimilação de experiência de participação da sociedade civil no processo.

Este é um dos aspectos do protocolo de cooperação descentralizada, celebrado terça-feira em Chã das Caldeiras entre os três autarcas da ilha e o Cabildo de Lanzarote, Pedro Gutierres e os presidentes de Ayuntamiento de Haria, Teguise e San Bartolomeu.

Além de apoio técnico na elaboração e implementação do projecto de geoparque e da candidatura da ilha do Fogo à reserva natural de biosfera, o protocolo prevê ainda a promoção de relações intermunicipais para intercâmbio de experiência entre os gabinetes técnicos de São Filipe, Santa Catarina e Mosteiros com os Ayuntamiento de Haria, Teguise e San Bartolomeu, bem como apoio para interiorizar o funcionamento, organização e objectivo do centro de arte, cultura e turismo de Lanzarote para a sua possível implementação na ilha do Fogo.

O Cabildo de Lanzarote disponibiliza-se para acolher técnicos no sector turístico e científico da ilha do Fogo para capacitação por um período mínimo de seis meses, intercâmbios entre estudantes universitários das duas ilhas, troca de experiência no sector agrícola, mais especificamente na cultura vinícola, bem como na indústria transformadora de produtos.

Igualmente o Ayuntamiento de Teguise prestará apoio técnico no levantamento e catalogação do património arquitectónico de São Filipe com objectivo futuro da candidatura desta cidade a património imaterial da humanidade.

Por sua vez as câmaras da ilha do Fogo criarão condições para facilitar a deslocação de especialistas e vulcanólogos de Lanzarote interessados em estudar o vulcão activo da ilha.

O primeiro-ministro, que testemunhou a celebração do protocolo, disse que após a sua eleição no ano passado deslocou-se às Ilhas Canárias e fez questão de visitar Lanzarote porque era uma grande oportunidade de ver uma experiência próxima da realidade da ilha do Fogo, e que não obstante o nível de desenvolvimento daquela ilha ser muito mais elevado que a do Fogo, existe algo que é similar e uma parte da economia que foi desenvolvida a base de um elemento da natureza que o Fogo dispõe, que é o vulcão.

Este disse que organizou a visita dos presidentes das Câmaras do Fogo a Lanzarote para partilhar essa ideia e hoje está-se a concretizar esta parceria com ganhos para Chã das Caldeiras, Fogo e Cabo Verde.

O Cabildo de Lanzarote Pedro Gutierres, além de destacar as áreas de cooperação entre as duas ilhas e entre os três municípios do Fogo e de Lanzarote, considera que é uma cooperação que se espera “profícua”.

Ao dirigir-se à população de Chã das Caldeiras em particular, Pedro Gutierres disse que em Lanzarote quando se começou a tomar as medidas de preservação, também a população se sentiu ameaçada, mas com a sua implementação aperceberam que trazia prosperidade e felicidade. Por isso encorajou as pessoas a não terem medo das medidas, antes pelo contrário, para se envolverem na implementação do processo e sempre que necessário poderem corrigir os técnicos se algo não vai bem.

Já o edil de Santa Catarina do Fogo, Alberto Nunes, disse esperar que a relação entre as duas ilhas seja “coesa e sustentável”, observando que acredita que as boas relações de amizade e de cooperação e geminação devem extrapolar os mandatos.

“É quase consensual que o progresso das nações dependem de boa cooperação e de boa política de proximidades e parcerias duradouras”, disse Alberto Nunes, para quem com o protocolo de cooperação entre as ilhas do Fogo e Lanzarote e entre os seus municípios, a ilha e o seu município em particular conhecerão dias melhores.

A cooperação descentralizada “não é suficiente e é indispensável” uma relação e cooperação com o Governo Central, que classifica de vital para o desenvolvimento da ilha e de Santa Catarina.

“A ilha do Fogo, Santa Catarina e Chã das Caldeiras são territórios ocupados por gente determinada e com provas de serem empreendedoras, mas que muitas vezes, são obrigadas, por falta de oportunidades, a deslocar os investimentos para outras ilhas”, disse Nunes, para quem a ilha carece de investimento público urgente para que os privados possam sentir coragem, confiança e segurança pata investir os seus recursos aqui e com sucesso.

“Chegou a hora de acreditar na gente desta ilha e de reconhecer as suas potencialidades e fazer o seu uso de forma racional e sustentável, equiparando com as demais que estão em constante ascensão”, disse Alberto Nunes, sublinhando que Chã das Caldeiras é uma “mina de ouro” que precisa ser aproveitada de forma inteligente.

A delegação de Lanzarote prossegue a visita esta quarta-feira, estando prevista a assinatura do protocolo de geminação entre Santa Catarina e o Ayuntamiento de San Bartolomeu e Mosteiros e o Ayuntamiento de Haria, Lanzarote.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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