Fogo: Hospital deixou de enviar doentes com transtornos psiquiátricos para hospital de Trindade nos últimos anos

São Filipe, 10 Jan (Inforpress) – O hospital regional São Francisco de Assis deixou de enviar doentes com transtornos psiquiátricos, para o hospital psiquiátrico de Trindade, que, nos últimos anos, era a segunda causa de transferência de pacientes.

A informação foi avançada pelo director do hospital regional, Evandro Monteiro, indicando que isto aconteceu porque o estabelecimento hospitalar conseguiu criar um grupo de trabalho que, em articulação com a delegacia de Saúde, vem prestando serviço, não só a nível do hospital como a nível domiciliar, de atenção à saúde mental com deslocação às comunidades.

“Os técnicos visitam todos os meses os doentes crónicos afectos à saúde mental com bons resultados e precisamos dar continuidade”, disse a mesma fonte lembrando que a saúde mental na ilha é um problema que se vem arrastando desde que a doença começou a ser pensada como um problema importante de saúde pública da ilha.

A direcção do hospital chegou a delinear a criação de um espaço fora do hospital e inclusive identificou um espaço anexo ao antigo hospital com condições e condicionalismos próprios para que se possa internar os doentes mentais mas havia, e ainda há, dificuldades para se ter uma equipa própria com auxiliar de recursos humanos, guardas, monitorização para o seu funcionamento.

Evandro Monteiro apontou que foi encontrada uma solução a nível interno do hospital e que é melhor neste momento, sublinhando que existe um espaço, que agora está sendo ocupado como espaço de isolamento da covid-19, para o serviço de psiquiatria.

Segundo o mesmo, o hospital realizou intervenções importantes neste espaço ligado à segurança para profissionais de saúde, mas sobretudo para os pacientes, adiantando que neste momento o hospital conta com uma psiquiatra e duas psicólogas.

“O plano é para depois da normalização da covid-19 destacar um grupo de técnicos específico para a saúde mental”, referiu, não obstante reconhecer que não vai ser o mais adequado porque há outras valências como actividades ao ar livre, actividade reabilitativa e educativa dos que precisavam de ser internados por mais tempo.

A questão do espaço deve ser discutida porque em relação ao tratamento e seguimento muitas abordagens foram mudando e a resposta e alternativa não estão na criação de espaço, mas na integração e envolvimento dos doentes nas comunidades com auxílio da família.

“Não é ter um espaço fechado e fazer o seguimento crónico que irá resolver toda esta problemática, a solução é a integração dos mesmos na sociedade pelo que o espaço físico seria para urgência e casos de descompensação”, referiu.

JR/HF

Inforpress/Fim

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