Fogo: Há um retrocesso na gestão de água para agricultura na ilha – Eva Ortet

 

São Filipe, 19 Abr (Inforpress) – A deputada do PAICV pelo círculo eleitoral do Fogo Eva Ortet considerou hoje que houve um retrocesso na gestão da água para agricultura na ilha com a passagem da sua gestão para as mãos da delegação do Ministério da Agricultura e Ambiente.

A parlamentar, que durante a sua estada na ilha visitou algumas instituições, como a delegacia de Saúde, delegação do MAA, adega Chã e contactos com a população, indica que duas preocupações maiores ditaram a sua visita à delegação do MAA, nomeadamente a questão de água para rega e a implementação das actividades geradoras de rendimento para as famílias deslocadas de Chã das Caldeiras.

“A gestão da água que estava no processo de privatização e com passagem da associação dos agricultores para a delegação do MAA teve um retrocesso e o resultado está a vista”, advoga a deputada, observando que as duas maiores associações ligadas ao sector, nomeadamente a de agricultores e criadores de gado, e Associação de Solidariedade e Desenvolvimento Económico (ASDE) tinham o processo bem avançado para assumir a gestão.

Segundo a Eva Ortet, as duas associações fariam a gestão o e o MAA ficava na retaguarda para realizar investimentos na mobilização de mais água e construção de reservatórios para permitir o surgimento de novas áreas irrigadas e disponibilizar água 24 horas/dia aos agricultores.

A deputada observa que a ASDE, que tinha celebrado com anterior governo um memorando para assumir juntamente com uma outra associação a gestão de água, aguarda há cerca de um ano pela resposta do Ministério da Agricultura, salientando que o memorando foi entregue ao titular da pasta e enviado à Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANAS).

Eva Ortet reconheceu que o sistema de água para rega tinha alguns problemas mas que o Ministério não fez investimentos para dar continuidade, estando neste momento o processo a depender de um estudo que está sendo realizado pelo MCA sobre a rega.

Para a deputada, a situação está em “standbay”, porque a gestão não foi transferida para privados, observando que a ASDE, que tem capacidade técnica e recursos, mostrou-se disponível em ajudar a resolver o problema que ainda existe.

“Há menos água e os agricultores não estão a pagar”, disse Eva Ortet, para quem o não pagamento talvez se deva ao facto de o ex-deputado e actual presidente da Câmara de São Filipe ter garantido aos agricultores de que não iriam pagar a água durante o período das campanhas eleitorais.

Segundo a deputada, talvez seja por causa disso que os agricultores não estão a pagar porque lhes foram prometidos água de graça durante a campanha.

Quanto às actividades geradoras de rendimento (AGR) para as famílias deslocadas de Chã das Caldeiras, Eva Ortet disse que o projecto financiado pelo BADE, no valor de um milhão de dólares, “está a patinar” e que nesta semana uma missão chega à ilha no quadro da sua implementação.

A parlamentar indicou que o projecto previa uma parte do financiamento para a construção da adega definitiva de Chã das Caldeiras, além de unidade de transformação de frutas e legumes e equipamentos de furos para apoiar uma boa parte da família de Chã das Caldeiras que perderam terras.

A deputada questiona para quando a construção da adega definitiva.

Segundo a mesma, para este ano os viticultores esperam uma boa produção, semelhante a de 2014, destacando que a adega provisória tem capacidade para dar resposta apenas a um terço da produção, razão pela qual se mostrou preocupada.

Eva Ortet defende, igualmente, uma maior assistência técnica às famílias que beneficiaram de projectos geradoras de rendimento e de apoio financeiro através da Cruz Vermelha de Cabo Verde.

JR/JMV

Inforpress/Fim

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