Fogo: Festa do Queijo de Monte Grande inicia com oficina de formação e troca de experiência no fabrico de queijo (c/áudio)

São Filipe, 24 Mai (Inforpress) – A primeira edição da Festa do Queijo na localidade de Monte Grande, zona sul do município de São Filipe, iniciou hoje com uma oficina formativa e troca de experiência sobre o fabrico de queijo.

A oficina conta com a participação do criador e fabricante do Planalto Norte, Santo Antão, Ramídio Ramos Cruz, que durante dois dias vai acompanhar os criadores no processo de fabrico de queijo com leite cru, desde a ordenha até a obtenção do produto final e também aprender com pessoal da queijaria de Cutelo Capado o processo de fabrico de queijo pasteurizado e com os criadores o queijo tradicional da localidade.

“Em Santo Antão temos uma ordenha diferente e com recurso a grelha para evitar o contacto do leite com o solo” disse Ramídio Ramos Cruz que acompanhou um criador no processo de ordenha, observando que o curral é bom, mas falta a grelha para suspender o animal de solo na altura da retirada do leite.

Segundo o mesmo, a utilização da grelha é muito importante no fabrico de queijo e não se corre o risco de o animal trazer algo para o leite, sublinhando que no processo de confecção faz-se a filtração do leite, mas mesmo assim pode passar algo que é invisível à vista desarmada.

Para o responsável da queijaria semi-industrial de Cutelo Capado, Camilo Nédio esta oportunidade em parceria com M_EIA universidade é de grande importância para o sector do queijo, esperando que a unidade e o pessoal envolvido na oficina aproveitem o máximo da experiência para o crescimento do queijo, quer tradicional como semi-industrial.

“A ideia é aproveitar da experiência de Santo Antão para implementar o mesmo tipo de queijo que traz mais-valia na produção de queijo e trazer aos clientes um outro sabor”, disse Camilo Nédio, sublinhando que num primeiro momento, a Festa do Queijo, pode não ter o impacto esperado, mas que este é o início de um percurso para que tenha, no futuro, um maior impacto possível.

Apesar da falta de matéria-prima (leite) este responsável disse que é melhor altura para realizar a Festa do Queijo porque, explicou, “este momento em que temos pouca quantidade de leite servirá para preparar para quando tivermos grande quantidade de leite ter uma ideia mais bem definida sobre a nova produção e o novo modelo de queijo”.

Manuela Cabral Tavares uma das criadoras de gado de Monte Grande, que participa da oficina, espera ganhar mais experiência para evoluir, quer na criação como no processo de produção de queijo.

“Espero aprender mais e ter vontade de levar o trabalho de criação para frente”, disse Manuela Cabral Tavares reconhecendo que, neste momento, na ilha do Fogo, o sector da pecuária atravessa uma situação difícil devido à falta de pastos, mas que mesmo assim está a lutar com os seus animais.

Um dos elementos da organização da festa do queijo, José Manuel Pina, espera que a iniciativa permita não só uma boa interacção e troca de experiência com criadores de outras ilhas, mas também entre os pastores da comunidade que terão a oportunidade de aprender um pouco mais para melhorar o seu produto.

A oficina conta com menos de uma dezena de participantes, na sua maioria do sexo feminino, mas em relação ao concurso para o melhor queijo tradicional de Monte Grande estão já inscritos perto de duas dezenas de pastores.

JR/HF

Inforpress/Fim

 

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