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Fogo: Família do artista José di Guida doa violão ao museu municipal de São Filipe (c/áudio)

São Filipe, 22 Jan (Inforpress) – Os familiares do artista José Pereira Cardoso, conhecido como José di Guida, falecido nos Estados Unidos da América a 02 de Janeiro, doaram ontem o seu violão ao museu municipal de São Filipe.

A entrega foi feita pelo filho Platini Cardoso, mais conhecido por Tini, ele também músico, ao coordenador do museu municipal Fausto do Rosário.

“Em memória do meu pai, José de Guida, que foi um grande homem da cultura, em especial da musica, em nome dos familiares tenho a honra de oferecer esta guitarra ao museu municipal, como património cultural de São Flipe”, disse o filho do artista na certeza de que a memória do mesmo permanece viva.

Platini Cardoso, emigrante nos Estados Unidos, é um músico “muito solicitado” e, apesar da sua juventude, tem “alguma experiência acumulada” na área musical, tendo participado em “muitos grandes shows” na América e fora de América, acompanhando muitos artistas cabo-verdiano, como disse à Inforpress.

“Tudo isso foi graças ao meu pai, foi através dele que tudo está a acontecer comigo e hoje e para sempre agradeço ao meu pai e vou fazer de tudo para dar continuidade àquilo que ele não conseguiu porque todos têm um limite e a morte é uma coisa que não podemos controlar”, disse o filho.

Para o coordenador do museu municipal de São Filipe, Fausto Rosário a doação do violão de José di Guida representa “muita coisa”, porque, explicou, José di Guida não era somente uma figura popular em São Filipe, mas também era um musico de muitas gerações, e conjuntamente com Totone Titino e poucos mais que ficaram, eram os mais antigos da ilha do Fogo e simbolizava uma geração do tempo de rabeca, instrumentos acústicos.

Ele, adiantou, continuou até os últimos dias da sua vida com “uma alegria incrível” de usar a música como factor de amizade, e José di Guida representava um Fogo que já não existe, um São Filipe hoje cada vez mais distante de valores como amizade, respeito e carinho, e era sobretudo um homem que influenciou e ensinou muita gente a tocar, como por exemplo, Godinho, António e Timas, de entre outros.

O violão vai ser colocado no museu conjuntamente com a gaita de Minó di Máma, do violino de Djon di Mané di Onorfo e do tambor de Tchitchite, numa homenagem a músicos tradicionais da ilha, recordando outros artistas, “não menos celebres” como Xote Nhango, Djoquim Bangainha, Djon de Nhango, Pedro de Amélia, Tenteia e Jorge, e todos que representam uma época e uma forma de estar na vida e arte que talvez hoje é diferente mas que é bom manter a memoria, defendeu Fausto do Rosário.

Em nome do museu municipal e da Câmara de São Filipe e de toda a ilha do Fogo, Fausto Rosário agradeceu à família de José di Guida pela doação e afirmou que tudo irá fazer tudo para honrar esta dádiva e transmitir tudo aquilo que for possível para preservar a memória e a herança por ele deixada.

José di Guida era tido por exímio tocador de violão, nasceu em Março de 1933, era comerciante antes de emigrar para os Estados Unidos da América, onde residia há várias décadas e onde acabou por falecer no dia 02 de Janeiro, tendo sido sepultado em São Filipe, a 14 do mesmo mês.

Sempre acompanhado do seu violão, este artista que foi “professor” de outras gerações de artistas, como Godinho que chegou a integrar o agrupamento musical Bokarron, era figura de destaque nas noites cabo-verdianas e tocatinas na cidade de São Filipe.

Na companhia de outros companheiros, José de Guida participou uma vez, em representação do município de São Filipe, numa actividade cultural em Palmela, Portugal, município que é geminado com São Filipe.

JR/AA

Inforpress/Fim

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