Fogo: Distrito de Água Grande (STP) quer beber da experiência de Cabo Verde na gestão de resíduos sólidos (c/áudio)

São Filipe, 09 Mai (Inforpress) – O presidente da Câmara de Água Grande, em S. Tomé e Príncipe (STP), José Maria da Fonseca, e comitiva vão aproveitar da experiência de Cabo Verde em matéria de gestão de resíduos sólidos urbanos para implementar no seu país.

O Distrito de Água Grande é o beneficiário do projecto Reforço Holístico para o Desenvolvimento Sustentável (Rehdes) e é neste quadro que uma delegação santomense e do Consorcio de La Ribeira (Espanha) se encontra em Cabo Verde numa visita de estudo.

“Os nossos países são constituídos por ilhas e têm as mesmas características”, disse José Maria da Fonseca, sublinhando que o seu distrito está a desenvolver um projecto ligado à formação do pessoal de Água Grande, com particular incidência na questão de resíduos sólidos urbanos.

“Tendo a ilha do Fogo, principalmente o município dos Mosteiros, tido como uma das referências e com características similares, vamos acolher ao máximo a forma como tratam os resíduos sólidos, a governança e outras áreas administrativas como o orçamento participativo para replicar em S. Tomé”, disse a mesma fonte, sublinhando que os conhecimentos e experiências desta missão vão ser depois adaptados à realidade de S. Tomé e Príncipe.

Por se tratar de um projecto financiado pela União Europeia, adiantou o presidente da câmara de Água Grande, foi possível trazer pessoas de vários sectores, nomeadamente da câmara, do serviço prisional que lida com os resíduos sólidos no seu dia-a-dia na limpeza da cidade, dos serviços das obras publicas e outros.

A equipa da câmara de Água Grande já realizou visitas similares ao Porto (Portugal) e a La Ribera (Espanha), mas encontrou meios muito sofisticados e realidades totalmente diferentes, permitindo registar vários aspectos cuja aplicação prática leva muito tempo, salientou José Maria da Fonseca, sublinhando que em Cabo Verde já está a notar que há coisas que se fazem da mesma forma e quer levar aquilo que se faz de melhor para ser adaptado em S. Tomé.

Com relação ao projecto, disse que está em andamento, mas tem registado um pouco de atraso porque as várias encomendas feitas deviam chegar em Fevereiro e só agora é que se prevê a chegada dos equipamentos, nomeadamente de três contentores com contentores de lixos e outros materiais, esperando que outros equipamentos cheguem nos próximos dias e que a parte teórica e prática do projecto sejam implementados em simultâneo.

O vice-presidente do Consorcio de La Ribera (Valencia – Espanha), Txema Pelaez, salientou que esta missão é continuação de um projecto de Reforço Holístico para o Desenvolvimento Sustentável, implementado em S. Tomé e que visa a recolha de lixo, eliminar as lixeiras descontroladas, criar uma cultura de participação cidadã na melhoria da recolha, separação e de ter “inputs” do próprio lixo, através de recuperação de plásticos e de dar mais vida e mais uso ao mesmo.

“A situação de S. Tomé é mais parecida com a de Cabo Verde, é um modelo que pode imitar”, disse Txema Pelaez, sublinhando que durante a missão de uma semana serão realizadas visitas para conhecer as boas práticas e as experiências quer do município dos Mosteiros, que é parceiro do projecto, como de São Filipe, Santa Catarina e da Praia para que a delegação de S. Tomé possa tomar como exemplo estes sistemas e implementá-los na sua ilha.

A delegação de La Ribeira integra ainda o director do projecto que coordena todas as acções para que o projecto possa atingir o objectivo final que é mudar o modelo de recolha de lixo de forma a ser mais sustentável e aproveitar sectores desfavorecidos e pessoas que estão desocupadas como mulheres e jovens para dar-lhes oportunidades de empreendedorismo.

O presidente da câmara dos Mosteiros, Fábio Vieira, referiu que a missão se enquadra no projecto Rehdes, financiado pela União Europeia e que tem como beneficiário directo o Distrito de Água Grande (S. Tomé e Príncipe), sublinhando que Mosteiros enquanto co-requerente tem a obrigação de partilhar as experiências, as boas práticas e os conhecimentos que tem em matéria de gestão dos resíduos sólidos urbanos na ilha do Fogo e em cada um dos três municípios.

“Não temos um modelo perfeito, mas adaptado àquilo que é a nossa realidade e que tem dado resultados positivos”, disse o edil dos Mosteiros, lembrando que Cabo Verde é uma realidade muito mais próxima de S. Tomé e que a delegação terá oportunidade de conhecer um pouco da experiência e as boas práticas que o País tem, os projectos em carteira e a visão de futuro em matéria de gestão dos resíduos sólidos urbanos.

A missão está divida em duas partes, sendo uma na ilha do Fogo e outra na Cidade da Praia, referiu Fábio Vieira, indicando que à chegada a missão teve um encontro com a câmara de São Filipe, seguido de uma apresentação do projecto de aterro intermunicipal controlado que está em obras, nomeadamente em que consiste esta infra-estrutura de gestão dos resíduos sólidos, qual o impacto que terá a nível da ilha em matéria de gestão dos resíduos.

Fábio Vieira disse que vai aproveitar a presença do vice-presidente do Consorcio de La Ribera de Espanha e de técnicos e experts ligados à União Europeia para partilhar com eles projectos não só no domínio de gestão dos resíduos, mas a nível de outros sectores como de água, planeamento urbanístico e ordenamento do território.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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