Fogo/Dia do Município: “A ilha do Fogo é matriz de Cabo Verde” – historiadora Maria de Lurdes Caldas (c/vídeo)

São Filipe, 29 Abr (Inforpress) – A ilha do Fogo é matriz de Cabo Verde e muito do que aconteceu na Ribeira Grande (Cidade Velha) e na Praia (Santiago) teve origem no Fogo, defendeu hoje a historiadora portuguesa, Maria de Lurdes Caldas.

A historiadora, que falava à margem da apresentação da sua obra “História da Família Medina e Vasconcelos”, enquadrado nas festividades do Dia do Município e da Bandeira de São Filipe e no centenário da elevação da então vila à categoria de cidade, defendeu que a ilha do Fogo devia ter um peso diferente no contexto nacional, não a nível económico e financeiro, porque não percebe nada disso, mas tem uma cultura diferente no contexto do arquipélago.

O livro sobre a “História da Família Medina e Vasconcelos” tem, no dizer da historiadora, um peso grande, não só para a ilha do Fogo, mas para Cabo Verde e para Portugal porque, explicou, Cabo Verde é um Estado recente com pouco mais de 40 anos, mas existiu há mais de 500 anos.

Trata-se de uma família que, pela sua projecção, não só no Fogo como nas várias ilhas, inclusivamente a nível de Portugal e da diáspora como Estados Unidos da América e Holanda, “tem um peso que as pessoas desconhecem”.

“Quando vieram para cá no século XVIII, a família Medina Vasconcelos, casaram-se com pessoas da ilha do Fogo, mas não permaneceram apenas nesta ilha”, disse a historiadora e autora do livro, sublinhando que muitos partiram para outras ilhas como Maio e Santiago (Praia).

Ela indicou que a “Família Medina e Vasconcelos são dois grandes construtores e altas figuras da sociedade cabo-verdiana são descendentes dessas famílias, desde autarcas, ministros e há dois antigos Presidentes da República, o comandante Pedro Pires e Jorge Carlos Fonseca”.

“O actual presidente da Câmara Municipal de São Filipe é descendente de José Lourenço da Silva, que é descendente desta família”, referiu Maria de Lurdes Caldas, indicando que descendentes destas famílias estão em “quase toda a parte e é quase praticamente impossível fazer a história de Cabo Verde sem fazer a história dessas famílias”.

Com relação ao livro em si, a autora disse que representa vários anos de uma investigação voluntária e sem patrocínio e bolsas, mas gostou muito, porque foi “aliciante cruzar com famílias e com várias pessoas”, sublinhando que procurou sempre associar a vida quotidiana local com o arquipélago.

A apresentação do livro na ilha do Fogo no quadro do centenário da elevação de São Filipe a categoria de cidade tem, segundo a mesma, grande importância, lembrando que a elevação, que se deu há 100 anos, deveu-se, em parte, a Abílio Monteiro Macedo, ele que é descendente dos Medina e Vasconcelos e por isso a celebração do centenário tem tudo a ver.

A historiadora disse que as pessoas estão muito despertas para a história local e com a ideia de preservar os documentos municipais, mas também os demais documentos porque, explicou, “as pessoas, mais tarde ou mais cedo, vão desaparecer” e a nova geração não está tão desperta para a preservação.

A autora do livro pediu às pessoas que leiam a obra, indicando que é difícil entender a família actual sem primeiro conhecer a pré-fase da família, observando que esta obra pode ser um incentivo para os arquivos.

A autora do livro “História da Família Medina e Vasconcelos” confessou que não tem nenhuma ligação familiar com a ilha do Fogo, mas apenas afectiva, sublinhando que gosta da ilha do Fogo, porque ela cativa.

A apresentação da obra “História da Família Medina e Vasconcelos” contou com a presença do Presidente da República, José Maria Neves, e do antigo Presidente comandante Pedro Pires, entre várias outras individualidades.

JR/HF

Inforpress/Fim

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