Fogo: Delegação do ICCA registou nos primeiros quatro meses de 2022 um total de 14 casos de abuso sexual

São Filipe, 06 Jun (Inforpress) – A delegação do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) na ilha do Fogo registou nos primeiros quatro meses de 2022 um total de 14 casos de abuso sexual de menores, resultando em cinco situações de gravidez precoce.

Os dados foram apresentados hoje pela delegada do ICCA, Samira Teixeira, na abertura de uma conversa aberta sobre a “violência sexual contra menores”, que contou com a presença da secretária de Estado da Inclusão Social, Lídia Lima, da presidente do ICCA, Maria do Livramento Silva, e representantes de várias entidades, instituições locais e sociedade civil envolvidos na luta contra a violência sexual contra menores.

Dos 14 casos registados, a maioria envolve adolescentes com idade entre os 13 e 17 anos (12 casos), resultando em cinco casos de gravidez, e os demais casos em crianças de zero a três anos (um) e dos quatro aos seis anos (um).

Já no ano de 2021, a delegada do ICCA avançou que esta instituição teve conhecimento de 52 casos de abuso sexual, dos quais metade das vítimas tinham idade entre os 13 e 17 anos (26), 21 casos na faixa etária dos sete aos 12 anos e cinco casos em crianças de quatro a seis anos.

A maior parte dos casos são denunciados pelos serviços ligados à Saúde Reprodutiva, seguido de escolas e pelos próprios pais, sobretudo os casos envolvendo crianças.

Samira Teixeira avançou que ultimamente o abuso sexual não é apenas contra crianças e adolescentes do sexo feminino e já começaram a surgir casos em que as vítimas são do sexo masculino, apontando que o ICCA registou dois casos, sendo um numa criança na faixa etária dos zero aos três anos e outro na faixa etária dos quatro a seis anos.

Os dados, segundo a mesma, referem aos casos que chegaram ao conhecimento do ICCA, mas acredita que existem outros casos que não são denunciados.

A primeira providencia do ICCA ao tomar conhecimento dos casos, explicou a delegada, é chamar os pais para uma conversa, salientando que na maioria das vezes as vítimas, sobretudo as adolescentes, vão acompanhadas das mães que consideram a situação “normal” pelo facto de terem passado por situação semelhante.

Samira Teixeira salientou que na maioria dos casos os agressores são membros da família ou pessoas próximas, em quem os pais depositam excesso de confiança para a guarda dos filhos.

A secretária de Estado da Inclusão Social, Lídia Lima, que participou da conversa defendeu a necessidade de se reflectir “seriamente” sobre a implementação de projectos e respostas para melhorar a actuação na área da infância.

Segundo a mesma fonte, este encontro com parceiros como Educação, Polícia Nacional, Saúde, Procuradoria e pais e encarregados de educação para debruçar sobre os abusos que são cometidos, a negligencia e a questão da responsabilização familiar perante vários momentos da vida das crianças é “fundamental” para inverter a situação.

“Acreditamos que esta parceria entre instituições, sociedade civil e a própria família é a melhor forma de encontrarmos soluções e caminhos para erradicar de vez estes problemas que continuam a vitimar as crianças”, disse a secretária de Estado da Inclusão Social, para quem os dados relativos à ilha do Fogo são elevados.

Para Lídia Lima, tem-se verificado um aumento de casos e é preciso mudar de postura e a mentalidade da população, sobretudo em termos de responsabilização familiar que tem um “papel fundamental” na educação dos filhos, na prevenção de surgimento de problemas como de violação, que, segundo a mesma, pode ser prevenida e evitada pelas famílias, cabendo ao Estado o papel de ajudar a família a proteger e acompanhar os filhos.

Por outro lado, referiu que as crianças, adolescentes e jovens precisam de espaços de ocupação que contribuam para melhorar a sua formação pessoal e profissional, observando que para ter, no futuro, jovens melhores capacitados é preciso garantir o equilíbrio emocional nesta fase.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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