Fogo: Curso de enologia e viticultura é um desafio para Fundação Padre Ottavio Fasano e para Cabo Verde – administradora ASDE

São Filipe, 21 Jan (Inforpress) – O curso bienal de enologia e viticultura, o primeiro a ser realizado em Cabo Verde, é um desafio para a fundação Padre Ottavio Fasano, para Cabo Verde e para o Instituto Alberto Primo de Alba, Itália.

É assim que a administradora geral da Associação de Solidariedade e Desenvolvimento (ASDE), Maria da Graça, definiu esta acção de formação que vai ser ministrada pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) através do Centro de Emprego e Formação Profissional para as ilhas do Fogo e Brava e com apoio técnico do Instituto Superior de Enologia e Viticultura de Alba, Itália.

Para a responsável, trata-se de um desafio porque não se resume apenas em fazer um curso, mas que ele tenha no futuro aplicação pratica do conhecimento de modo que possam nascer verdadeiros viticultores e enólogos, mas também porque exige muito trabalho, articulação e diálogo entre decisores políticos e empreendedores.

“Trata-se de uma actividade complexa que exige para além da formação, disponibilidade de água, transporte parta escoamento dos produtos, trabalho de mercado interno e externo e o delinear de uma estratégia que deve passar por uma maior atenção aos produtos “made in Cabo Verde”, afirmou.

Para a administradora da ASDE está na hora de se apostar seriamente na industria nacional e não em facilitar a entrada no país de produtos estrangeiros, muitas vezes sem a qualidade, advogando que “a região de denominação de origem definida para o vinho do Fogo deve sair do papel e concretizar brevemente”.

Maria da Graça enumerou as dificuldades e deficiências que existem no sector industrial, desde a revisão do quadro legal, passando pela melhoria das condições de disponibilidade de recursos e serviços como água, energia e transportes, até a inexistência de programas de capacitação contínuos.

“O facto do Governo ter abraçado desde a primeira hora este curso de enologia e viticultura, de ter contribuído para o seu financiamento encoraja-nos a pensar que todas as questões elencadas estão a ser equacionadas e que a viticultura e a enologia integrarão a estratégia de desenvolvimento traçado para as ilhas, sobretudo do Fogo pioneira neste sector”, ressalvou Maria da Graça que à semelhança do padre Ottavio, defende que todos devem sonhar com grandes encostas plantadas de videiras pelas ilhas de Cabo Verde.

A entidade promotora do curso é a Fundação Padre Ottavio Fasano, uma instituição de direito cabo-verdiano, sem fins lucrativos que tem compromisso “sólido e concreto” em trabalhar para um futuro de justiça humana e espiritual para os mais necessitados em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, visando o desenvolvimento nos diferentes domínios.

O desenvolvimento de qualquer sector assenta na educação e formação e é ciente deste facto e cumprindo os objectivos para os quais foi criada, a ASDE, em parceria com o Governo de Cabo Verde, através do Instituto do Emprego e Formação Profissional e do Fundo de Sustentabilidade Social para o Turismo (FSST), com o apoio técnico do Instituto Superior de Enologia e Viticultura de Alba, Itália, implementam esta acção de formação.

O curso de enologia e viticultura está formatado para 30 jovens, sendo 24 da ilha do Fogo, oito por cada um dos municípios, e seis das ilhas de Santo Antão, São Nicolau e interior de Santiago, tem a duração de dois anos, dividido em quatro semestres, e é ministrado na adega de Monte Barro (São Filipe) e na vinha de Maria Chaves.

O orçamento geral do curso é de pouco mais de 28 mil contos e conta com vários parceiros.

Paralelamente a abertura do curso foi inaugurado também o Centro de Formação em Viticultura e Enologia no país, baptizado com o nome Pier Luisa Pautasso.

JR/CP

Inforpress/Fim

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