Fogo: Criadores querem intervenção do Governo na regulação do preço do milho – presidente do agrupamento

São Filipe, 28 Jan (Inforpress) – Os criadores de gado, sobretudo das zonas sul e centro, estão desanimados com o preço elevado do milho e pedem a intervenção urgente do Governo na sua regulação como forma de apoiá-los no salvamento do gado.

O grito da “revolta” e o pedido de intervenção do Governo no negócio do milho na ilha do Fogo, dos criadores chega através do presidente do agrupamento de queijo da ilha, Manuel Mendes, para quem a situação tornou-se insustentável e os criadores estão a desfazer, ao desbarato, dos seus efectivos pecuários.

Manuel Mendes indicou que antes um saco de milho de 50 quilos era comercializado pelo preço de 1.874 escudos e que hoje, 28 de Janeiro está sendo comercializado por 3.000 a 3.300 escudos/saco, um aumento que oscila entre 1.126 a 1.426 escudos/saco, deixando os criadores sem possibilidade e capacidade financeira para adquirir este produto para o salvamento de gado, na ausência de pastos.

“O Governo tem de interferir no negócio do milho para regular o preço e não pode deixar que este produto básico seja regulado pelo mercado através da lei da oferta e da procura”, disse Manuel Mendes, sublinhando que o Governo pode regular através de subsidiação do preço e da fixação de uma tabela e a consequente fiscalização.

Os criadores, explica, têm a consciência de que o preço do milho aumentou, mas a forma oportunista como alguns comerciantes estão a utilizar para explorar os criadores deve merecer atenção das autoridades.

Com o aumento exagerado do preço do milho, Manuel Mendes, avança que os criadores teriam de vender um litro de leite, actualmente 80 a 100 escudos, no mínimo a 150 escudos/litro e o queijo que é comercializado a 120 escudos passaria para 500 escudos.

Questionado se os comerciantes estão a fazer o açambarcamento do produto para vender a preço exorbitante, o presidente do agrupamento de queijo da ilha, afirma não acreditar porque a Moave não está a vender grandes quantidades aos comerciantes/retalhistas.

“O problema é que na ausência de pastos a procura de milho aumentou e não há grande disponibilidade do stock e os comerciantes estão a aproveitar dessa situação”, disse Manuel Mendes.

O presidente do agrupamento de queijo sublinha que os criadores querem ouvir a posição do Governo, através do ministro da Agricultura.

Ultimamente, nos dias em que há ligações marítimas entre as ilhas do Fogo e Santiago, pode-se constatar que um número expressivo de animais, sobretudo caprino, é enviado para a Cidade da Praia e no dizer dos criadores os animais são vendidos a um preço muito inferior para evitar a mortandade, que já começou na zona sul da ilha, e na tentativa de salvar alguma cabeça, como garantiu hoje um criador de Monte Grande, de nome Augusto que, há mais de 50 anos, se dedica à pecuária.

JR/HF

Inforpress/Fim

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