Fogo: Chefe Nacional dos Escuteiros Católicos indignada com falta de apoio das entidades públicas e privadas

São Filipe, 02 Ago (Inforpress) – A chefe nacional do Corpo dos Escuteiros Católicos de Cabo Verde, Maria José Alfama, mostrou-se hoje indignada com a falta de apoio de entidades públicas e privadas que dispõem de condições para educação de crianças, jovens e adolescentes.

Maria José Alfama, que falava na cerimónia de abertura oficial do segundo Campo Nacional dos Escuteiros (CANAES), que decorre de 01 a 08 de Agosto em Monte Barro, São Filipe, pediu às entidades públicas e privadas e às pessoas que têm dinheiro para cortar parte destinada a coffee-break e festivais para apoiar e investir nas crianças, adolescentes e jovens deste país.

“Não queremos e nem aceitamos esmolas. O movimento escutista tem dignidade suficiente para não aceitar migalhas”, destacou a chefe nacional, indicando que os pais e encarregados de educação, as câmaras municipais, as dioceses estão com o movimento, assim como vários outros parceiros, entidades e associações da ilha do Fogo.

Para Maria José Alfama, todas as actividades realizadas visam provocar união, confraternização e partilha de experiência e constitui um momento de enriquecimento, observando que apesar da crise o Corpo dos Escuteiros está a realizar o campo nacional porque tem um projecto educativo em fase de implementação que precisa ser cumprido.

“É um momento de avaliação e ver se o sistema integrado de gestão de dados e de actividade estão sendo utilizados de forma correcta”, destacou a chefe nacional, salientando que tudo deve ser avaliado para poder dar um salto.

Depois de agradecer aos pais e encarregados de educação e os dirigentes pelos esforços financeiros, Maria José Alfama agradeceu também as dioceses que, segundo a mesma, motivam o movimento escutista que é a esperança para este país, sem esquecer os parceiros locais.

Muitos consideram que o “escutismo é fixe é bom”, mas na hora de estender as mãos para apoiar estão ausentes, observando que é necessário que estas instituições estejam presentes e apoiar uma organização não governamental que tem mais de três mil membros e que trabalha todos os dias para preparar a formação das crianças, jovens e adolescentes.

“Somos muito mais do que um movimento que é bom e que é fixe, somos um movimento importante se queremos uma sociedade melhor daqui para o futuro”, destacou Maria José Alfama, mostrando-se indignada em relação às entidades que podem fazer muito mais para o movimento escutista e que não estão a fazê-lo.

O segundo Campo Nacional dos Escuteiros (CANAES), que já conta com representantes e participantes das regiões de Santiago Sul e Maio, Sal e Boa Vista, Santiago Norte e do Fogo, estando a chegada da delegação da região de São Vicente prevista para quarta-feira, homenageia a título póstumo três pessoas que estiveram sempre ligadas ao escutismo, nomeadamente os padres Pimenta e Sanches e Paulo Alfama, o primeiro instrutor nacional de escutismo.

O presidente da câmara de Santa Catarina do Fogo, Alberto Nunes, presente na cerimónia de abertura, destacou o empenho dos dirigentes na mobilização de recursos para a realização do campo, observando que o seu município apoia dentro das suas possibilidades, mas que continua aberto para colaborar com o campo ao longo da semana para que os participantes regressem com uma boa imagem da ilha do Fogo.

Por sua vez, o presidente da câmara de São Filipe, Nuías Silva, referiu que desde o primeiro contacto, através da chefe nacional para esta parceria no âmbito da comemoração dos 100 anos de elevação de São Filipe a cidade, a autarquia abraçou e disponibilizou todo o apoio, na medida das suas possibilidades.

Este além de desejar uma “boa estadia” às pessoas que visitam a ilha durante uma semana, prometeu estar presente nas actividades e continuar a ajudar até o término do segundo Campo Nacional de Escuteiros e regresso de cada participante para as respectivas casas.

Nuías Silva pediu aos escuteiros para ajudarem as autoridades a remar contra a maré, observando que não podia ter um melhor slogan para este campo num momento difícil que o mundo está a viver do que “remar contra a maré”, observando que é preciso lutar contra as dificuldades.

“As dificuldades é apenas o sinal de que temos de lutar mais para contorná-las e ultrapassá-las”, referiu o autarca de São Filipe que lembrou aos participantes do campo dos quatro princípios fundamentais do crescimento do ser humano referido na homilia pelo bispo Dom Arlindo Furtado, nomeadamente a prudência, a justiça, a temperança e a fortaleza.

Esta quarta-feira, segundo a programação, os lobitos deslocar-se-ão a Chã das Caldeiras, os exploradores participam, em parceria com o Projecto Vitó em actividades de educação ambiental como exposição da biodiversidade e reciclagem do lixo.

Os caminheiros participam do programa de limpeza e marcação de terreno no Santuário de Nossa Senhora do Socorro e os navegantes fazem a limpeza das praias vizinhas ao santuário.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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