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Fogo: “Casa da Memória, duas décadas de muita aprendizagem” – Monique Widmer

São Filipe, 20 Abr (Inforpress) – A Casa da Memória, uma instituição cultural de carácter eminentemente privado, cuja criação visa guardar a memória do passado e construir a história do futuro, assinala hoje, 20 de Abril, os 20 anos da sua abertura ao público.

Foi a 20 de Abril de 2001, que nascia no centro histórico da cidade de São Filipe, num antigo armazém, a instituição cultural que hoje é uma referência na cidade, na ilha e em Cabo Verde.

A promotora da Casa da Memória, Monique Widmer, disse à Inforpress que foram 20 anos de muita aprendizagem, sublinhando que “a Casa da Memória evoluiu bastante, mas ficou com o objectivo e o nome inicial, já que é uma casa e não um museu, mas ficou também com o estilo inicial”, porque ela não esgota o etnográfico e nem o histórico.

Segundo a mesma, “houve evolução na quantidade de acervos, no número de visitantes, apetrechamento da biblioteca, na possibilidade de ir ao encontro daquilo que as pessoas procuram e ter visitas partilhadas, para que as pessoas possam sentir e fazer parte do projecto e da própria iniciativa”, observando que desde a sua abertura, o objectivo era fazer as pessoas reencontrar com a sua cultura e a sua história.

Ao fazer o balanço do percurso dos 20 anos, a responsável indicou que em termos de visitas houve uma evolução, com uma média de 1.100 a 2.700 visitas/mês, o que considera ser uma boa média, para um espaço que abre três vezes por semana, calculando que desde a sua abertura passaram pelo espaço mais de 30 mil pessoas.

“Se olharmos pelo número de turistas que visitam a ilha, penso que 10 a 15 por cento (%) dos que visitaram a ilha passaram pela Casa da Memória”, disse Monique Widmer, lembrando que “a maioria dos turistas vai apenas a Chã das Caldeiras e não visita a cidade”.

No dizer da mesma, no início houve mais foguenses, os emigrantes e nacionais a visitar o espaço, mas ao longo dos anos o número de turistas aumentou e, nos últimos anos, mais de 90 por cento dos visitantes foram turistas.

A biblioteca também evoluiu bastante, sobretudo em documentos, em outras línguas, porque, explicou, houve trocas, mas porque estimula o interesse dos turistas.

Durante as duas décadas de vida, a Casa de Memória acolheu várias sessões de lançamento de livros, mais de duas dezenas, assim como da realização de conferências, que igualmente ultrapassam as duas dezenas.

De 2004 a 2016 as actividades culturais foram mais ou menos regulares, tendo realizado perto de 200 eventos culturais, desde exibição de filmes (perto de uma centena), conferências, lançamento de livros, exposições, documentários.

A projecção de filme foi graças ao apoio do Ministério da Cultura, que em 2004 financiou a aquisição de equipamentos audiovisuais, e em 2010, a Embaixada dos Estados Unidos da América financiou a biblioteca, que permitiu a catalogação dos títulos e a elaboração e edição do catálogo que aconteceu em 2015, data em que a Casa da Memória, no dizer da sua promotora, atingiu o seu apogeu.

O pouco interesse demonstrado pelas autoridades municipais mereceu reparo da promotora da Casa de Memória, apontando como razões a dificuldade, não só na ilha do Fogo, como em todo o país, por parte das pessoas em acarinhar uma iniciativa privada e porque acham que muitas das iniciativas deveriam ser só institucionais e não privadas.

Monique Widmer disse que as autoridades quase não visitam a sua instituição, enquanto as entidades nacionais que passam pela ilha visitam a Casa da Memória e querem mostrar esta iniciativa às delegações, sublinhando que em 2005 recebeu uma condecoração do Governo em sinal de reconhecimento.

“As entidades locais nem sequer compraram um catálogo que se possa oferecer”, desabafou.

Em termos de perspectivas, Monique Widmer adianta que esta iniciativa, depois de 20 anos, vai continuar na mesma, a ser casa, e neste período a abertura tem de ser programada e com marcação antecipada.

Até a retoma da normalidade, a Casa da Memória vai continuar a fazer exposições no exterior do edifício.

A próxima exposição será sobre as festas tradicionais das bandeiras, agora em Abril e Maio, e a segunda sobre as fotografias antigas da ilha do Fogo, para meados de Junho/Julho, altura da celebração do dia da cidade (99 anos).

Neste momento, a Casa da Memória está a trabalhar no seu novo site, a manutenção do espaço, restauração dos objectos, listagem dos livros, catalogação dos objectos e agradece “imensamente” às pessoas que deram apoio.

Monique Widmer disse que ao notar que os 20 anos ficam «entalados» entre a campanha e as eleições e as festas, mesmo mínimas, da bandeira de São Filipe, e devido às medidas de combate à covid-19, decidiu “não organizar um evento, ou um convívio, com público, na Casa da Memória”, para assinalar a data.

Aquando da criação, Monique Widmer disse que “tinha ideias, vontade e conhecia a família Barbosa que disponibilizou os seus objectos”, salientando que “é impossível querer abrir um espaço cultural de início tudo já feito”.

“A Casa da Memória vai ter o seu tempo e não sei até quando”, disse a responsável, lembrando que os objectos não lhe pertencem, pois são da família Barbosa e foram cedidos.

Nunca procurou expandir a Casa para as outras ilhas porque o espaço de memória nas ilhas deve ser feito conforme a história da sua própria ilha.

“Espaço como este pode ter 20, 25 anos. tem de ser outra pessoa a retomar as coisas de outra forma”, disse.

JR/JMV
Inforpress/Fim

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