Fogo: Campo Nacional dos Escuteiros “valeu a pena” apesar das dificuldades em trazer participantes – responsável

São Filipe, 09 Ago (Inforpress) – O segundo Campo Nacional dos Escuteiros (Canaes), encerrado segunda-feira, 08, na ilha do Fogo, “valeu a pena” apesar da dificuldade em trazer os participantes, disse a chefe nacional do Corpo dos Escuteiros Católicos de Cabo Verde (CECCV).

No balanço de encerramento das actividades, Maria José Alfama reconheceu que não foi fácil trazer os participantes devido a existência de crises e que afectam muitas famílias, sobretudo a nível financeiro, lembrado que era preciso ter, pelo menos, um contributo da família para garantir alimentação.

“Em quantidade ficamos aquém da expectativa, infelizmente, mas acho que tudo aconteceu na medida da vontade de Deus, e se tivéssemos mais participantes podíamos ter dificuldades em termos de avaliação das nossas necessidades e dos aspectos que precisam ser melhorados”, declarou Maria José Alfama.

A mesma fonte mostrou-se satisfeita por ter conseguido trazer para o campo cerca de 700 crianças, adolescentes e jovens, quase uma centena de dirigentes e candidatos a dirigentes e uma dezena de pais.

Por isso, observou, foi “muito trabalho, mas valeu a pena” e regressam felizes e com o sentimento de dever cumprido e com uma sensação de que o Canaes vai ser um trampolim para dar “um grande salto”, enquanto movimento educativo.

Segundo a mesma, o campo representou uma semana de “muita surpresa, alegria, gestão emocional, muita união e de avaliação permanente para procurar corrigir os erros”.

“Este campo era para fazer avaliação do nosso projecto educativo para ver se os dois documentos elaborados, o projecto educativo e a sebenta de técnica escutista estão sendo implementados”, referiu Maria José Alfama, observando que se está “num bom caminho”, ao mesmo tempo que felicitava os chefes e as famílias que confiaram no corpo de escuteiros, assim como os parceiros que permitiram a realização do campo.

Quanto à realização da terceira edição do Canaes, Maria José Alfama salientou que o mesmo acontece de quatro em quatro anos, mas, uma vez que em 2025 se assinala os 25 anos da criação do movimento escutista, provavelmente o campo será realizado em 2025, mas é uma questão que vai ser decidido juntamente com os outros membros da Junta Nacional, dioceses e assistentes.

Padre Paulo, que participou do campo nacional, classificou o mesmo como “um autêntico laboratório e uma oficina de aprendizagem” onde cada um dos participantes descobriu o seu talento e as suas limitações.

“Este campo serviu para formação integral da pessoa humana das crianças, adolescentes e jovens, abrangendo toda a dimensão do homem, nomeadamente a parte física, intelectual e espiritual”, defendeu o padre, para quem o aprendizado durante o campo não deve ficar pelo campo, mas deve ir mais e ser socializado em casa, no trabalho, nas escolas e na sociedade, porque, explicou, “uma vez escuteiro, escuteiro para sempre” e os participantes devem levar esta máxima para ter um mundo melhor.

O sacerdote lembrou que para um mundo melhor a Igreja conta com todos os parceiros, lembrando que o corpo de escuteiros trabalha todas as faixas etárias para a formação do homem que o mundo precisa.

O encerramento do campo esteve a cargo do delegado do Ministério da Educação em São Filipe, Emanuel Barbosa, que, além de parabenizar a Junta Nacional pela “grande iniciativa” de mobilizar recursos para que este campo, salientou que a delegação abraçou desde primeira hora a iniciativa, tendo em conta que mais de 90 por cento (%) dos participantes são alunos e professores.

“O maior desafio que temos enquanto dirigente do Ministério da Educação é combater o abandono escolar, a melhoria do sucesso escolar e a promoção de disciplina”, declarou a mesma fonte, que indicou que só a delegação, os professores e os pais não conseguem atingir este resultado, por isso a delegação abraçou esta iniciativa que trabalha em prol da melhoria da educação.

Emanuel Barbosa indicou ainda que os participantes saíram do campo com “mais bagagens, mais bem preparados e com mais experiências e aprendizado” para ultrapassarem as dificuldades.

Os porta-vozes dos diferentes níveis de escuteiros, desde Lobitos, passando por Exploradores, Caminheiros e Navegantes foram unânimes em considerar que o Canaes foi uma “boa experiência” para a vida dos escuteiros, que aprenderam “novas experiências fantástica”, a conviver com outras pessoas e que regressam à casa “mais experientes e com mais conhecimentos”.

“Foi um prazer enorme estar no campo nacional de escuteiros”, referiu um dos participantes, sublinhando que foram vários “momentos inesperados”, de amizades, novas experiências e vivências fantásticas com as pessoas do Fogo e com o vulcão.

“Fogo é uma ilha maravilhosa, com pessoas acolhedoras e lugares fantásticos”, referiu outra porta-voz, observando que adoraram por terem adquirido muitos conhecimentos, apesar do “sol, da terra líquida, da falta de banho”, mas mesmo assim o campo foi maravilhoso, apesar de algum momento de desavenças e desentendimento fruto da falta de paciência.

No final os chefes e os parceiros foram contemplados com diplomas de reconhecimento, tendo os escuteiros prestado uma homenagem a Maria José Alfama com a entrega de um quadro com a imagem da mesma.

Os escuteiros começaram a regressar ainda no final do dia de segunda-feira às suas casas, nomeadamente os dos municípios de Santa Catarina e São Filipe.

Os demais vão regressar a partir de hoje, esperando a organização que até sexta-feira tenha encaminhado todos os participantes às suas ilhas/municípios.

JR/AA

Inforpress/Fim

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