Fogo: Câmara promete agir na eliminação de cães vadios e na compensação dos criadores pelos prejuízos

São Filipe, 02 Jun (Inforpress) – A câmara de São Filipe, através do seu presidente, comprometeu-se hoje a agir rapidamente na eliminação de cães vadios e em compensar os criadores pelos prejuízos registados com a morte dos efectivos pecuário.

O presidente da autarquia de São Filipe, Jorge Nogueira, reuniu-se hoje com dois representantes de criadores de gado da zona sul do município, cujo rebanho foi vítima de ataque de cães vadios, um encontro que segundo o mesmo decorreu na normalidade, porque os criadores sabem da preocupação que a instituição tem tido para o salvamento de gado.

Este explicou que há uma semana esteve reunido com os criadores para apresentar um conjunto de propostas para os ajudar até meados de Outubro, altura em que poderá ter pasto disponível, indicando que surgiu este imprevisto derivado de um outro factor, que a nível do País é um mal que está a assolar os criadores, e por isso há que procurar alternativas para o resolver.

Jorge Nogueira explicou aos representantes dos criadores que o medicamento necessário para a eliminação dos cães vadios, que não podem ser capturados de outra forma, já se encontra no País e deve chegar à ilha ainda nesta semana para de imediato começar o abate.

O combate, avançou, passa primeiro pela eliminação de cães errantes, depois passar pela fase de castração e, eventualmente, pode surgir um canil para os outros casos que venham a surgir.

Sublinhou que estava prevista, há dois meses, a vinda de uma equipa de veterinários para realização deste trabalho complementar para diminuir a população de caninos no município e na ilha.

Para além disso, apontou a necessidade de se sensibilizar as pessoas, porque, explicitou, os chamados cães vadios saíram das casas das pessoas, que muitas vezes não podem sustentá-los, vão para outros sítios à procura de alimentos.

Questionado sobre aplicação de Código de Posturas Municipais para evitar este cenário de cães vadios, Jorge Nogueira observou que é sempre complicado aplicar coima quando não se sabe quem é o dono do animal.

A solução, assinalou, é captura-lo para colocar num canil, uma situação que a câmara chegou a equacionar, mas que o custo com esta infraestrutura seria demasiado e dificilmente iria aparecer alguém na ilha para adoptar o animal de um canil.

“A situação é muito preocupante, o Governo tem conhecimento disso, as câmaras também”, frisou Jorge Nogueira, observando que assim que chegar os medicamentos que se encontra na Praia será mobilizada uma equipa para realizar o trabalho de abate dos cães errantes, contanto com a parceria da Delegacia de Saúde para supervisionar, os pastores, o Serviço de Saneamento da câmara, acompanhado de elementos da Polícia Nacional para apoiar todo o processo.

Durante o encontro com os representantes dos criadores, Jorge Nogueira prometeu compensar os criadores pelas perdas, observando que serão analisados alguns factores, como número de criadores que perderam animais e a quantidade, para mediante a possibilidade de a câmara levar uma proposta para deliberação para encontrar forma de os compensar.

“Aqueles que realmente dependem dos seus animais e que perderam rendimento não podem ficar sem rendimento já que trata-se de um sector económico”, referiu o autarca, observando que grande parte das famílias de São Filipe e de toda a ilha do Fogo vive da criação de animais e o mais justo é que aqueles que ficaram privados dos seus rendimentos sejam compensados.

Nogueira deixou claro que a câmara não ira pagar pelos prejuízos porque não tem condições de pagar, mas que haverá uma forma de compensação para que possam ter algum rendimento.

Além de eventual compensação, este prometeu deslocar-se, acompanhado de técnicos, a essas localidades para visitar as infra-estruturas, nomeadamente os currais para ver, no terreno, a possibilidade de os ajudar na melhoria dos currais, tornando-os mais seguros, nomeadamente para aqueles que dispõe de número significativo de animais e que vivem de criação.

Porém, este considerou que houve algum “oportunismo político” de quem “acha que com a desgraça dos outros pretende ganhar alguns pontos”, embora “nunca estiveram ao lado dos criadores nos momentos maus e nem na busca de soluções” para os seus problemas.

O autarca manifestou aos criadores o seu descontentamento pelo facto de terem trazido os animais mortos e depositá-los à frente do edifício da câmara, apesar de reconhecer que foi num “momento de desespero e de raiva” pelos prejuízos, salientando que estaria disposto a ir ao local para ajudar na avaliação da situação e encontrar medidas necessárias.

Sobre a acusação da Comissão politica Regional do PAICV, disse que vai reagir em conferência de imprensa que agendou para quarta-feira, 04.

João Andrade, um dos representantes dos criadores, afirmou ter saído do encontro “parcialmente satisfeito”, esperando que o presidente “cumpra as promessas e realize os trabalhos, o mais rápido possível”, para evitar que os cães continuam a dizimar os seus rebanhos.

Disse que fica a aguardar, “ainda esta semana”, seja iniciado o processo de abate dos cães vadios, porque, segundo explicou, “se demorar na intervenção a situação vai permanecer na mesma”, observando que os criadores “não estão a dormir” para salvar os seus animais.

Mostrou-se igualmente satisfeito com a promessa do presidente da câmara em ajudar na melhoria das infra-estruturas e na atribuição de “alguma compensação” aos criadores, cuja principal fonte de rendimento é a criação de animais.

JR/AA

Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos