Fogo: Câmara disponibiliza bolsas de estudo sobre contributo da Igreja na construção da identidade

São Filipe, 06 Ago (Inforpress) – A Câmara Municipal de São Filipe mostra-se disponível para atribuir bolsas de estudo a candidatos a cursos de mestrado e doutoramento sobre a contribuição da igreja na formatação da identidade cabo-verdiana.

O anúncio foi feito hoje pelo presidente da câmara de São Filipe, Nuías Silva, no final da conferência sobre “a identidade Cabo-verdiana. O contributo da Igreja. São Filipe e a ilha do Fogo em perspectiva”, proferida pelo arquivista da Diocese de Santiago, padre António Ferreira, mais conhecido por padre Ima.

A conferência, realizada em parceria com a Igreja Católica, enquadra-se no programa da comemoração do centenário da elevação de São Filipe à categoria de cidade, assinalado a 12 de Julho passado e, além de anunciar a atribuição de bolsas de estudo, o edil de São Filipe afirmou que a autarquia vai publicar a comunicação do conferencista, até o final do ano, à semelhança do que aconteceu com a comunicação de Jorge Tolentino sobre o escritor foguense, Teixeira de Sousa.

“Esta conferência é extremamente importante porque enquadra-se no âmbito do centenário da cidade de São Filipe e quisemos que todas as partes que emanam a sociedade sanfilipense e foguense pudessem dar o seu contributo sobre a retrospectiva histórica daquilo que é a evolução e a situação actual da cidade e da ilha e a sua perspectiva para o todo nacional”, disse Nuías Silva.

O autarca lembrou que a Igreja é um “parceiro importante” porque, grande parte daquilo que são os 100 anos de São Filipe passam pelos arquivos da Igreja, razão pela qual quando a câmara formulou o convite ao padre, à paróquia e à diocese para analisar o contributo dado para aquilo que é hoje a sociedade foguense, responderam positivamente.

Nuías Silva defendeu que o Estado devia ter uma “atenção especial” ao arquivo das igrejas no processo de digitalização dos documentos do país, porque antes de 1900 todos os registos, por exemplo, eram feitos nas igrejas, observando que a câmara não tem condições para apoiar as autoridades religiosas a fazer a digitalização.

“Os arquivos das igrejas, paróquias e dioceses são fundamentais para percebermos, em todas as dimensões e latitudes o contributo que muitos deram, mas que não estão registados nos anais da história e que precisam ser contados e resgatados para valorizar e conhecer melhor o caminho percorrido e poder estar em condições de desenvolver”, rematou.

O padre António Ferreira “Ima” durante cerca de uma hora abordou o tema da conferência e o papel da Igreja na construção da identidade cabo-verdiana, optando por falar sobre a psicogéneses e sociogéneses de Cabo Verde que permitiu a construção do olhar da identidade e da consciência nacional até a declaração do Estado em 1975.

António Ferreira percorreu ainda durante este percurso de Cabo Verde sobre a Igreja que, segundo o mesmo, nasceu com Cabo Verde, destacando o contributo dela nessa consciência e na formação e formatação do homem cabo-verdiano, observando que a matriz cristã é aceite por todos, o que não significa que somos todos ou devemos ser todos católicos.

Num segundo momento da sua comunicação, debruçou-se essencialmente sobre o percurso da ilha do Fogo, o segundo a ser povoado depois de Santiago, desde o nascimento do povoado de São Filipe e a sua evolução de vila para cidade, lembrando que os primeiros habitantes que chegaram da Europa eram cristãos e católicos e que os escravos que chegaram eram homens e mulheres de fé com as suas crenças e vivências.

“No Fogo dá uma simbiose bonita que é a festa da bandeira onde podemos ver o contingente africano e europeu que tão sábia e bonita se conviveu e que orgulha os sanfilipenses e foguenses”, destacou o padre Ima que mencionou outros aspectos como as capelas privadas, o reinado, de entre outros.

A nível da ilha do Fogo a Igreja nasceu a partir do núcleo de São Filipe, expandindo depois para a paróquia de São Lourenço (norte), de Nossa Senhora da Ajuda (Mosteiros), Santa Catarina (Santa Catarina do Fogo) e mais recentemente Nossa senhora de Fátima com a divisão de São Lourenço em duas paróquias.

“Fogo é a ilha que tem maior consciência da bíblia e é onde a palavra de Deus está mais viva e assumida em todos os casos”, disse o conferencista.

A questão da identidade e o contributo da Igreja, não é um tema que se esgota numa conferência e deixou várias pistas que podem ser exploradas, tendo igualmente referido à questão do turismo religioso.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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