Fogo: Autarcas perspectivam instalação do Ensino Superior na região no horizonte de ano e meio

São Filipe, 23 Fev (Inforpress) – Os autarcas da região Fogo/Brava perspectivam que o Ensino Superior presencial será uma realidade nessa região no horizonte de ano e meio, já que foi uma promessa de campanha dos quatro presidentes de câmaras.

A fixação do horizonte temporal surgiu após um encontro entre os presidentes das três câmaras municipais da ilha do Fogo com os delegados do Ministério da Educação e com o director do Ensino Superior, realizado hoje, na cidade de São Filipe, para uma primeira abordagem da instalação desse nível de ensino.

O presidente da câmara de São Filipe, Nuías Silva, na qualidade de porta-voz do colectivo, afirmou que houve um consenso “muito importante” de que é imperativo a instalação, num curto espaço de tempo, do Ensino Superior para servir a região Fogo/Brava.

O ensino serviu ainda, segundo o autarca, “para um layout” de entendimento para trabalhar nos próximos dias, para no espaço de um mês, no máximo, começar a desenhar aquilo que será o memorando de entendimento entre a região e o Governo, relativamente à vontade política de instalação do Ensino Superior nesta região.

Segundo Nuías Silva, depois será desenvolvido um corpo “bem estruturado” com as instituições do Ensino Superior público que as câmaras entendem ser a pedra fundacional daquilo que é o sistema de ensino presencial na região e que sirva os interesses das duas ilhas, mas que seja um projecto para servir o país e o mundo.

“Temos potencialidade e vocação para ter, num curto espaço de tempo, o Ensino Superior nas áreas de geociências, ciências da terra e com cursos que podemos competir para atrair estudantes de Cabo Verde e internacional na área de vulcanologia, agronegócios, saúde animal e reprodutiva, pecuária e em outras áreas de engenharia, sempre ligadas à vocação da região”, disse Nuías Silva, para quem a região não pode ficar fora do “puzzle” do Ensino Superior em Cabo Verde.

O modelo que está sendo desenhado será socializado com o Governo, instituições do Ensino Superior para convergir naquilo que é fundamental e estratégico para a dinâmica económica, social e intelectual da região, lembrando que o Ensino Superior tem enormes vantagens, nomeadamente sociais, com a não deslocalização de jovens para outras ilhas.

“Um aluno para estudar fora custa em média 42 contos mensais à família e aquelas que não têm condições, grande parte deste valor é suportada pelas câmaras municipais”, aludiu o porta-voz, observando que as câmaras estão engajadas neste processo de atracção do Ensino Superior e disponíveis para complementar o investimento, tendo em conta os enormes ganhos.

Segundo o edil, com a instalação do Ensino Superior, os recursos que antes eram transferidos para outras ilhas passam a circular na região, para além da mesma poder competir para atrair estudantes para região, criando toda uma dinâmica à volta do mesmo.

Já o director do Ensino Superior, Aquilo Varela, indicou que a nível da educação está-se a preparar “respostas robustas” em matéria do Ensino Superior para dar respostas às vocações das regiões e fazer com que os jovens acedem ao Ensino Superior com custos menos onerosos para as famílias, servindo a estratégia de desenvolvimento das regiões.

Este indicou que Ensino Superior nas duas universidades públicas encontra-se, nos últimos tempos, em fase de reorganização, sublinhando que foi criada recentemente a Universidade Técnica do Atlântico, voltada para o desenvolvimento da economia marítima, da economia do turismo e da aeronáutica civil e da economia agrícola e todas as tecnologias conexas ao sector agrícola.

Este indicou que a Uni-CV, com um património antigo em matérias de desenvolvimento em áreas estratégicas para o país, foi identificada como a instituição pública melhor preparada para trazer o Ensino superior para junto dos jovens da região, sem custos onerosos para as famílias.

O director do Ensino Superior indicou que é natural que haja expectativas elevadas por parte dos jovens, mas é preciso saber dosear a expectativa e baixá-la, porque, explicou, há respostas legais a ser dadas e qualquer curso para ser ministrado fora do centro terá de ser acreditado no novo espaço para acreditação, nunca será num espaço temporal inferior a seis meses, e em algum caso, poderá levar um ano, e por isso não quis avançar com uma data.

“A Uni-CV foi identificada como a instituição com potencial para vir turbinar o desenvolvimento da ilha e da região, mas na perspectiva que os autarcas estão a identificar a resposta pode ser muito mais célere do que se for para criar uma instituição nova, com todas as exigências legais”, destacou o director do Ensino Superior, lembrando que a credenciação é feita pela Agência Reguladora do Ensino Superior, que é uma entidade autónoma.

Aquilo Varela indicou que a reivindicação é antiga e os autarcas querem ver “acção e pragmatismo” na sua realização, porque, ajuntou, há “sangria dos recursos” das famílias dos jovens que saem para outras ilhas para frequentar o Ensino Superior.
J

R/JMV

Inforpress/Fim

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