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Fogo: Ascensão de São Filipe a cidade será assinalada pela 1ª vez em sessão especial da Assembleia Municipal

São Filipe, 08 Jul (Inforpress) – O dia da ascensão de São Filipe a categoria de cidade, 12 de Julho, vai ser assinalado este ano e pela primeira vez com uma sessão solene especial que contará com a presença do primeiro-ministro.

A sessão solene especial comemorativa do 99º aniversário da elevação de São Filipe à categoria da cidade (1922 – 2021) decorrerá nas instalações do auditório Padre Pio Gottin.

Segundo o presidente da Assembleia Municipal, Luís Nunes, a sessão constituirá um momento para fazer o balanço do percurso feito durante os quase 100 anos e perspectivar o futuro daquele que constitui o aglomerado populacional mais antigo de Cabo Verde, depois da ruína da Ribeira Grande, actual Cidade Velha, na ilha de Santiago.

Durante a sessão solene especial comemorativa aos 99 anos de elevação de São Filipe a cidade será empossada a comissão consultiva para organização dos 100 anos da cidade de São Filipe, que se celebram a 12 de Junho de 2022.

A comissão, que é presidida pelo presidente da câmara de São Filipe, Nuías Silva, e integrada pela vereadora pela área da Cultura e mais 16 pessoas de vários quadrantes da sociedade civil, terá a responsabilidade de preparar as celebrações do centenário da sua ascensão à categoria de cidade.

A fundação e povoamento de São Filipe, o primeiro e principal centro urbano da ilha, segundo registos históricos, ocorreram um quarto de século após o “achamento” de Cabo Verde pelos portugueses em 1460/62.

O seu povoamento ter-se-ia ocorrido antes de 1493, e, por volta de 1572, tinha cerca de 200 casas, com cerca de duas mil pessoas, tendo em conta que em cada um dos fogos ou agregado familiar podia ter em média nove pessoas.

A 12 de Julho de 1922, a então Vila, ou Bila como ainda continua a ser tratada por muitos, ganhou estatuto de cidade, contando, na época, com influência política de um dos seus filhos, Abílio de Macedo.

Na data da sua elevação à cidade contava com quatro mil almas e 1.000 fogos, segundo dados do Plano Director Municipal e do Plano de Desenvolvimento Urbano (PDU).

O diploma legal número 2 de 12 de Julho, publicado no Boletim Oficial Nº 28 de 1922, aprovado pelo Conselho Legislativo Colonial, elevava a vila à categoria de cidade, elencou como argumento o facto desta urbe, “depois de ter jazido longos anos no mais censurável esquecimento, tem sido contemplado nestes últimos tempos com algumas obras”, nomeadamente a igreja de Nossa Senhora da Conceição que, nesta altura apenas faltava pequenos trabalhos de acabamentos, a Alfandega no porto da Luz e alguns lanços de estradas.

O documento de base que determinou a atribuição do estatuto de cidade à então vila, aponta ainda que “a dinâmica natural tenha ganhado um certo ritmo, pois, só assim se compreende que poucas dezenas de anos depois a Vila tenha sido elevada a cidade, dado o lugar que ocupava entre as restantes vilas da província”.

“As nobilíssimas tradições que a história regista como o gesto sublime de grandeza e patriotismo pela sua atitude altiva contra o domínio de Espanha (…), a avultada riqueza comercial e agrícola (…), os importantes melhoramentos e notórias modificações, por que tem passado, atestam na fisionomia social da sua população o louvável desejo de engrandecer e progredir”, refere o documento.

Um “apreciável grau de instrução” da população, sendo “insignificante” o número de analfabetos e o rendimento com que concorria para os cofres da província, foram outras das razões que ditaram a elevação da Vila (Bila) de São Filipe à cidade.

No entanto, só na primeira metade do século passado iniciou-se o melhoramento urbano com calcetamento das ruas, melhoria das praças, ajardinamento, construção do hospital, abastecimento de água e electricidade, construção da pequena estrada do porto de Fonte Vila e os primeiros carros.

Actualmente São Filipe é uma cidade integrada por 23 bairros e lugares, mas o aumento demográfico obrigou a população a transpor as duas ribeiras que delimitam a urbe (Trindade a norte e São João a sul) e é visível, nos últimos anos, uma “febre” de construções sem precedentes na sua história.

O conjunto histórico-patrimonial de São Filipe consta da lista indicativa de Cabo Verde entregue à UNESCO em 2004/2005, para eventual declaração como património da humanidade, mas alguma descaracterização do seu centro histórico poderá constituir um constrangimento.

Dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) relativos ao censo de 2010 dão conta que a população da cidade de São Filipe era de 8.122 pessoas, correspondendo a 36,5 por cento (%) da população do Município.

JR/AA

Inforpress/Fim

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