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São Filipe: Antigo eleito municipal defende que Estado deve indemnizar os criadores pelas perdas

São Filipe, 31 Mai (Inforpress) – O antigo eleito municipal de São Filipe Amadeu Barbosa defendeu hoje que o Estado (Governo e câmara) deve indemnizar os criadores de gado pela perda dos seus animais devido a ataque de cães vadios.

Ao tomar conhecimento, através dos meios de comunicação social, de que os criadores perderam várias cabeças de animais por acção de cães vadios, o cidadão e munícipe de São Filipe, residente na Praia, Amadeu Barbosa, mostrou-se “altamente chocado e preocupado” com a situação que se arrasta há anos e sem solução à vista.

“Estou preocupado e acho que os criadores têm direito a indemnização pela perda dos animais, por parte do Estado, nomeadamente da câmara de São Filipe e do Governo”, advogou Amadeu Barbosa, justificando que como o Governo tem uma lei que protege cães vadios é também responsável para pagar o valor dos animais mortos (cabras e carneiros) e indemnizar os criadores pelos outros prejuízos já que os animais eram as fontes de rendimento deles e das suas famílias.

Disse ter conversado, por telefone, com o presidente da Assembleia Municipal de São Filipe, Adolfo Rodrigues, mas não conseguiu fazer o mesmo em relação ao presidente da Câmara Municipal, Jorge Nogueira, indicando que soube do encontro agendado para terça-feira (02 de Junho) com os criadores, mas entende que “o presidente deveria os ter recebido imediatamente” para encontrar uma solução.

Amadeu Barbosa mostrou-se disponível para apoiar os criadores a entrar com uma acção judicial contra o Estado de Cabo Verde e o município de São Filipe, para exigir o pagamento dos prejuízos e indemnização pelos lucros cessantes e futuros que resultavam dos benefícios que tiravam dos animais.

“Se os criadores não obrigarem as autoridades a pagar os prejuízos, nunca mais as coisas tomam o caminho devido. O Governo não pode proteger cães vadios para destruir patrimónios dos outros, e as cabras são patrimónios dos criadores, e é um direito constitucional ter património”, referiu Amadeu Barbosa em declaração a Inforpress, questionando se os cães vadios são património de alguma pessoa.

A mesma fonte afirmou ainda não entender como que o Estado não defende património dos criadores de gado, em concreta, para defender património que não tem dano (os cães vadios).

“Como esses cães não tem donos, são vadios e ferozes o Estado que já assumiu como sendo donos dos mesmos, este deve assumir todos os actos praticados por esses animais com as devidas consequências”, destacou Amadeu Barbosa.

O mesmo pergunta ainda que interesse maior o Estado de Cabo Verde (Governo e câmara) está a salvaguardar e defender, com supremacia sobre o património de privados devidamente identificados e consagrado constitucionalmente.

Com relação a câmara este lembrou que o poder local foi instituído para resolver os problemas das pessoas e que esta questão de cães vadios é um problema local e deve ser resolvido localmente.

Nos últimos três dias há relatos de matança de perto de uma centena de cabeças de gado (cabras e carneiros) na zona sul de São Filipe, sem contar com muitos outros animais que ficaram inutilizados devido a ferimento provocados pelos cães vadios.

O estranho é que os animais são mortos nos currais, muitos dos quais com alguma altura e com protecção exterior, mas mesmo assim os cães entram e saem dos currais sem quaisquer sinais, deixando apenas um rasto de destruição dos animais.

No sábado, um grupo de criadores de Jardim expôs parte dos animais mortos à frente da câmara e no domingo foi a vez de um grupo de criadores de Salto passar com os seus animais à frente da residência do presidente da câmara para chamar atenção para esta problemática que tem deixado criadores e familiares abandonados à sua sorte.

Os criadores avisam que se do encontro de terça-feira não sair uma medida urgente, vão se organizar para fazer “limpeza” dos cães que encontram nas ruas da zona sul e centro porque estão cansados com a situação.

JR/CP

Inforpress/Fim

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