Fogo: Alteração do horário nos transportes impediu deslocação da missão da OMC à Brava

São Filipe, 10 Set (Inforpress) – A alteração no horário da ligação marítima impediu a missão da Ordem dos Médicos de Cabo Verde (OMC) de se deslocar à ilha Brava como inicialmente programado, disse o bastonário, Danielson Veiga.

“Infelizmente, não tivemos oportunidade de nos deslocar à Brava por questões de transportes, sobretudo alteração do horário, que não permitia cumprir o programa e reunir-se com a câmara”, disse Danielson Veiga.

O bastonário informou, entretanto, que a missão realizou um encontro personalizado com o delegado de saúde da ilha, que acabou por descrever todo os detalhes sobre o incidente, em que um jovem acabou por falecer, “vítima de uma doença grave”, mas também as dificuldades, deficiências e o trabalho realizado.

Assim, depois de visitar as estruturas de saúde da Região Sanitária Fogo/Brava para inteirar-se daquilo que tem sido o atendimento, o processo de relação das entidades de saúde com as câmaras municipais, hoje a OMC realizou a reunião ordinária do conselho directivo nacional.

O propósito era proceder à revisão do que foi feito nos últimos meses, analisar os constrangimentos e fazer avaliação do estádio de saúde, assim como a recolha de informações e dificuldades para compartilhar com a tutela.

Segundo o bastonário, a missão à região Fogo/Brava foi “um sucesso” porque permitiu conversar com as câmaras municipais sobre as parcerias que tem como o serviço da saúde, indicando que existem alguns desajustes na questão de transporte de doentes nas situações de emergência já que o hospital regional não dispõe de ambulância e recorre às câmaras e à Protecção Civil.

“Não temos um serviço de ambulância equipada e com técnicos de saúde e na questão de transporte de doentes há necessidade de se fazer um reajuste, definir quem deve ser chamado numa situação de emergência”, disse o bastonário, defendendo a criação de uma linha verde que as pessoas accionam directamente em caso de emergência sem ter de passar por um circuito complicado e com vários intervenientes.

A missão da OMC reuniu-se com médicos especialistas que levantaram várias questões, nomeadamente a necessidade de rotatividade porque na periferia trabalham de forma isolada e precisam de estar nos hospitais centrais onde podem trocar opiniões com outros colegas.

Danielson Veiga defendeu a necessidade de se criar as condições para a rotatividade para que os especialistas possam estar mais actualizados, lembrando que a medicina muda todos os dias e é preciso actualizar para acompanhar a evolução técnico-científica.

O bastonário avançou que a OMC está em negociação com o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) para a montagem de brigadas de especialistas móveis que vão às periferias com grupo de médicos para avaliar as pessoas.

A implementação das brigadas de especialistas móveis permite fazer intervenção nas próprias regiões e se houver necessidade os pacientes serão enviados para os hospitais centrais, evitando a situação actual em que “todo mundo” é encaminhado para os hospitais centrais para “coisas simples”.

“Com a criação das brigadas só vão aos hospitais centrais as pessoas que precisam de cuidados mais ajustados”, disse Danielson Veiga, indicando que há muita coisa que precisa ser ajustada, mas as partes precisam conversar e não cada um actuar de forma isolada.

Hoje e amanhã os especialistas que integram a missão da OMC tem programados consultas de especialidades gratuitas nas áreas de cirurgia, ginecologia, urologia e medicina interna, às comunidades, tendo manifestado à directora da Região Sanitária Fogo/Brava a disponibilidade para em casos de urgência e emergência prestar a colaboração necessária.

JR/CP

Inforpress/Fim

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