Fogo: Afosol prevê recolher mais de cinco mil feixes de palha para os criadores das zonas sul e centro da ilha

São Filipe, 29 Jan (Inforpress) – A Associação Fogo Solidário (Afosol) prevê recolher mais de cinco mil feixes de palha para apoiar centenas de criadores, no quadro do programa “salvamento de gado e apoio aos criadores de animais”.

No âmbito deste programa, que contou com o financiamento da Embaixada da Alemanha, a associação tem estado a contratualizar com proprietários de terrenos das localidades da ilha com algum potencial de pasto e o transporte, cabendo aos criadores apenas a tarefa de fazer a recolha.

Hoje dezenas de criadores da zona sul e centro, nomeadamente das localidades como Fonte Aleixo e Achada Furna (Santa Catarina do Fogo) e Monte Largo, Lacacã, Monte Grande (São Filipe) deslocaram-se à localidade de Campanas de Baixo para a recolha de pastos num trato de terreno de um particular que a associação contratou para o efeito.

O acto de recolha contou com a presença do presidente do conselho directivo do Afosol, Eugénio Veiga, que agradeceu em nome dos criadores/agricultores, o povo alemão, através da sua Embaixada em Cabo Verde, por este acto de solidariedade, num momento especial e extremamente grave para a população da ilha, sobretudo os criadores desde Almada (São Filipe) até Figueira Pavão (Santa Catarina).

Este disse que o programa tem três vertentes, nomeadamente a compra/abate e distribuição de carnes às famílias mais carenciadas, que já foi implementada nas localidades onde a situação é “extremamente grave”, estando neste momento em curso a vertente de recolha de pastos.

“O processo está suficientemente avançado e já foi contratualizado e pago para a recolha de mais de 5.500 feixes de palha e como há uma disponibilidade grande e os criadores estão engajados já ultrapassamos de longe o objectivo para aquisição de pastos”, afirmou o responsável da Afosol, sublinhando que a terceira vertente está relacionada com a aquisição de milho e ração, mas que, neste momento, enfrentam uma realidade nova já que o preço do milho quase que duplicou em relação ao preço do orçamento.

O momento é de dificuldade para os criadores/agricultores e por isso o presidente do conselho directivo da Afosol apela às autoridades cabo-verdianas no sentido de dar continuidade a este acto de solidariedade, observando que com poucos recursos podem contribuir grandemente para salvar a maior parte dos animais, sobretudo das zonas situadas entre Achada Furna e Miguel Gonçalves onde a maior parte são criadores de caprino que consomem menos.

O mesmo salientou que o gado bovino está concentrado mais na zona baixa e é mais exigente, mas defendeu que com a disponibilidade de pastos que existem, nas poucas localidades da ilha, e com uma boa organização, é possível ajudar neste processo de salvamento de gado.

Para Eugénio Veiga, o projecto não é meramente social, mas é também um projecto de desenvolvimento porque o criador ao salvar o seu animal tem lei, queijo, carne e não tem necessidade de trabalho público.

“Este projecto deve servir para reflexão do poder público para ver as oportunidades e prioridade das intervenções”, disse a mesma fonte, para quem se trata de um projecto inclusivo, de combate à pobreza e de desenvolvimento, sublinhando que é desnecessário falar do cumprimento dos objectivos se nada de concreto for feito.

A Afosol tem estado a proceder à recolha de pastos em vários pontos da ilha, mediante pagamento, mas o seu responsável indica que há disponibilidade de pastos em Monte Velha, lembrando que este terreno é do Estado e que neste caso apenas o custo de transporte se coloca.

“Se amanhã tiver notícias de morte de animais é por falta de acção governativa no sentido de salvar o gado”, advogou Eugénio Veiga, para quem desde Setembro/Outubro, o Governo, face à previsão do mau ano agrícola deveria adoptar medidas, nomeadamente, através das empresas, fazer importação de milho destinado aos animais a um preço acessível ou então, “como falhou nesta matéria”, deve subsidiar o custo do aumento do preço do milho.

Os criadores, Lucindo Teixeira (Achada Furna), Carlos Baessa (Lacacã) e Rito Gomes (Fonte Aleixo) em nome dos demais, mostraram-se “satisfeitos” com a iniciativa da Afosol em assegurar o pagamento de espaços para a recolha de pastos e o seu transporte para o centro e sul.

“Os criadores estão desesperados com a falta de pastos e o mau ano [agrícola], e não têm nada para dar aos animais, o milho chega cada vez mais caro e agora está a ser vendido por mais de 3.300 escudos”, disse Carlos Baessa, adiantando que não há trabalho.

“O primeiro-ministro deve estar a dormir e o presidente da câmara [São Filipe] deve estar prestes a dormir e os criadores estão bloqueados” desabafou Carlos Baessa, para quem esta iniciativa do Afosol é, até este momento, a única que está a ajudar os criadores neste processo de salvamento de gado porque, justificou, aproxima-se o final de Janeiro, o Governo e as câmaras “ainda não fizeram praticamente nada neste sentido”.

Segundo os criadores, os animais já começaram a morrer e, neste momento, muitos são obrigados a vender ao desbarato parte dos rebanhos. Segundo Rito Gomes de Fonte Aleixo-sul, os compradores oferecem um preço muito baixo, mas como os criadores estão desesperados e sem alternativas acabam por vender na tentativa de salvar algumas cabeças.

JR/ZS

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos