Festas da bandeira/Brava: Missão cumprida para Henrique de Pina – o “homem do Mastro”

Nova Sintra, 29 Jun (Inforpress) – Henrique de Pina, 78 anos, diz-se feliz pelo cumprir da sua missão que é o revestir do mastro, que desde os 12 vem vivendo e mantendo viva a tradição do “Mastro”, nas três festas da “Bandeira” da ilha Brava.

Hoje, com as festas de São Pedro e São Paulo, “Djick”, como é também conhecido Henrique de Pina, amanheceu logo cedo no Cutelo para assim terminar mais esta missão que se inicia com o vestir do Mastro para a festa de Santo António, 13 de Junho, São João Baptista, 24 de Junho e hoje, 29, São Pedro e São Paulo.

Após o bote ao Mastro, Djick, em declarações à Inforpress garantiu que no próximo ano, basta tiver vida e saúde vai estar no mesmo local por estas ocasiões e dar continuidade a àquilo que considera ser o ponto mais esperado destas três festas da bandeira na ilha.

Entretanto, ressaltou que é “urgente” a necessidade de aparecer jovens interessados em aprender e a dar continuidade à tradição, porque, conforme reconheceu “a idade não perdoa”.

Além disso, salientou que para manter a tradição rija como sempre, é preciso retomar alguns traços culturais que estão a se perder, como as oferendas ao Mastro, o “djunta-mon” para que as festas da bandeira sejam mais rijas e a necessidade de levar a tradição somente para gastos exagerados, mas de se aprofundar primeiramente na fé, que, segundo o mesmo, deve ser o primeiro motivo para festejar a bandeira.

Igualmente falou da necessidade de resgatar o “quebra pote”, “panha algorinha”, onde antigamente, recordou, penduravam argolas nos cavalos e as pessoas iam apanhando.

Quanto ao cavalo, destacou que este também é um ponto que precisa ser retomado, embora diz estar ciente que é um pouco mais complicado porque para esta função é preciso que o animal não só seja educado para isso, mas também ter o dom.

Pois, descreveu que o cavalo que desempenhava essa função, o Kalifa, era um cavalo branco, que dançava e não magoava ninguém, entrava nas casas, independentemente se era sobrado ou não, mas o cavalo tinha de subir para dançar em todas as casas que passava, conforme o ritual da ilha.

“Este cavalo, quando sentia o pau no tambor, dançava juntamente com as coladeiras, como se fosse uma pessoa”, contou emocionado de alegria e de tristeza, por ver a tradição a “morrer dia após dia”.

O maior sonho deste homem conforme expressou é “ter alguém para retomar todos os traços ou pelo menos para vestir o Mastro” antes da sua morte.

MC/CP

Inforpress/Fim

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