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“Fefa pescador” membro da Associação dos Pescadores de São Vicente afirma que pesca artesanal está a afundar-se (c/áudio)

Mindelo, 05 Fev (Inforpress) – A pesca artesanal “está a afundar-se em São Vicente” porque “não há apoios” para os pescadores, afirmou em entrevista à Inforpress o membro da Associação dos Pescadores de São Vicente, Alfredo Gomes, conhecido pelos colegas por “Fefa pescador”.

‘Fefa pescador’, 54 anos, afirma que praticamente “nasceu no mar”. Antes de ir à faina, cujo regresso confessou que só deveria acontecer ao cair da noite, foi instado pela Inforpress a falar sobre os principais constrangimentos por que passam os pescadores, neste dia em que se comemora o Dia Nacional do Pescador.

Para a mesma fonte, a pesca artesanal está a fundar-se em São Vicente, porque, na sua óptica, “o Governo não tem apoiado” os homens do mar que, diariamente, investem “cerca de três ou quatro mil escudos” nas despesas da faina e voltam “sem peixe e não conseguem abater essa despesa”.

“Neste momento estamos chateados com o Governo porque não nos está a apoiar. Aqui na zona de Praia de bote não temos nenhum apoio. Temos falta de motores e de peças. E o nosso maior constrangimento é a apanha de isco,” revelou o pescador.

Conforme a mesma fonte, no ano passado no Dia do Pescador estiveram numa reunião com entidades do Governo no Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas (INDP), durante a qual foram-lhes prometidos vários apoios, após reclamação dos pescadores mas, nunca foram efectivados.

“Temos muitas coisas para pagar, temos impostos e licença de pesca ao passo que nos tinham dito que a licença era zero. Aqui, o Governo disse-nos algumas coisas que não estou a vê-las postas em prática,” lembrou o pescador que promete voltar a levar as mesmas preocupações nas celebrações do Dia do Pescador na zona piscatória de Salamansa.

Segundo ‘Fefa pescador’ um dos maiores constrangimentos dos pescadores é a apanha do isco, porque “são quase que perseguidos” por apanhar isco na orla que vai do mercado de peixe até às proximidades da Cabnave.

“Saímos para apanhar o isco, além de pagar licença de pesca, de rede, ainda temos constrangimentos porque somos perseguidos pela Guarda Costeira, pela Polícia Marítima, e por todos. Mas eles sabem que o isco fica no meio das ferragens, dos iates e barcos que manobram nessa zona”, acrescentou a mesma fonte para quem os barcos de pesca artesanal duram no máximo 10 a 15 minutos na apanha de isco.

Outra dificuldade que tem encontrado é na captura de peixe, sobretudo do atum, que “cada vez mais está raro” nessas águas, muito por “culpa dos barcos estrangeiros” que receberam licença para pescar em Cabo Verde, frisou.

“Neste momento, tentar pescar atum no canal é para esquecer. Se apanharmos o atum ou é porque fugiram das redes desses barcos que deram licença ou é porque está ferido. O Governo deu 50 milhas para os barcos da União Europeia pescar com redes e eles mexeram logo na reserva de Cabo Verde e é uma coisa que eles não deveriam mexer,” contestou ‘Fefa pescador’.

Segundo o pescador, “não se deveria mexer com a reserva das ilhas de Cabo Verde que eram rodeadas de atum”.  E mesmo, alertado sobre o facto de o atum ser um peixe migratório, pelo que se não for apanhado nas águas de Cabo Verde será capturado em outro lugar, ele afirmou que preferia a última opção.

Isto porque, a seu ver, se não forem capturados pelos barcos no limite das 50 milhas esta espécie abundava nas costas de Cabo Verde para o benefício da comunidade pesqueira artesanal.

“Quando entram para apanhar é uma captura enorme. Se há uma mancha de atum eles seguem-no até chegar no ponto de captura e quando conseguem apanhá-los, nós já não conseguimos nada porque o atum não entra nas nossas águas,” defendeu ‘Fefa Pescador’, adiantando que, desta forma, “o dia de trabalho e o ganha-pão dos pescadores ficam comprometidos”.

CD/ZS

Inforpress/Fim

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