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FAO disponibiliza 41 mil contos a Cabo Verde para garantir uso de águas residuais tratadas na agricultura

 

Cidade da Praia, 27 Jun. (Inforpress) – A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) financia com 391 mil dólares (41 mil contos) a implementação de um projecto que garanta o uso seguro de águas residuais na agricultura e silvicultura.

Trata-se de um projecto com o objectivo de aumentar a disponibilidade e qualidade de água para a agricultura e melhorar as condições de vida da população dos concelhos do Tarrafal de Santiago e de São Vicente, mediante a implementação de dois projectos pilotos, cujo protocolo de cooperação foi rubricado hoje pelo representante da FAO em Cabo Verde, Rémi Nono Womdim, e o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva.

Este projecto piloto vai ser implementado no Tarrafal de Santiago e na Ribeira de Vinha no Mindelo (São Vicente) numa área de um hectare cada (equivalente a um campo de futebol), onde será produzida “água de alta qualidade e livre de contaminação bacteriana”, mediante a técnica de fertilização desenvolvida e implementada neste projecto com o qual se pretende melhorar a condição de vida das populações rurais abrangidas.

A iniciativa insere-se no quadro do Programa de Cooperação Técnica, tendo o executivo solicitado assistência técnica à FAO para o financiamento e implementação deste projecto, vocacionado para garantir o uso seguro de águas residuais na agricultura e na silvicultura, através de métodos inovadores e adaptados às necessidades e condições do país.

O ministro da Agricultura e Ambiente destacou a importância deste projecto num país de escassez hídrica, obrigada a adoptar boas políticas de gestão da água, tendo sublinhado que dentro do contexto africano, Cabo Verde tem de posicionar-se como “um dos países que melhor sabe gerir a água”.

Afirma que as políticas inerentes à gestão da água no arquipélago têm de incluir necessariamente a reutilização das águas tratadas, tendo apontado o caso de Israel enquanto um país, marcado pela escassez de água e que utiliza 86 por cento das suas águas residuais tratadas na sua agricultura.

Para o governante, toda a importância deste projecto torna-se necessária utilizar as tecnologias já existentes nesta matéria, pelo que destaca o papel da FAO em trazer estas experiências para Cabo Verde, por entender que permite ao país melhorar a sua capacidade de utilizar as águas residuais tratadas com segurança.

Por seu turno, o representante da FAO considera que pela sua característica, marcada pelo clima tropical seco e uma baixa precipitação média anual que não ultrapassa os 250 mililitros anuais e com limitações em água doce, Cabo Verde deve recorrer-se ao uso de recursos hídricos não convencionais para o desenvolvimento da agricultura.

Rémi Nono Womdim assegura que as águas residuais, quando bem tratadas, constituem um “recurso valioso e inexplorado” que pode ajudar o país no desenvolvimento da agricultura, da agro-florestação e das florestas para alcançar a segurança alimentar e nutricional e na luta contra a desertificação de modo a colmatar a escassez da água, enquanto grande constrangimento à agricultura.

SR/ZS

Inforpress/Fim

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