Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

Faltam 100 dias para as presidenciais nos EUA e ainda está quase tudo por decidir

Redacção, 25 Jul 2020 (Lusa) – A apenas 100 dias para as eleições presidenciais nos EUA quase tudo é uma incógnita: a forma como os eleitores irão votar, que nomes aparecerão nos boletins de voto e se Donald Trump aceitará o resultado final.

As convenções dos dois principais partidos estão marcadas para o final de Agosto, depois de terem sido adiadas por causa da pandemia de covid-19, mas um dos temas de conversa entre os delegados republicanos e democratas será a forma evasiva como o Presidente respondeu quando interrogado sobre se aceitaria o resultado das eleições.

“Terei de ver. Não digo ‘sim’. Não digo ‘não’”, afirmou Trump numa recente entrevista televisiva em que desvalorizou o facto de a maioria das sondagens dar vantagem ao candidato democrata, Joe Biden, dizendo que os estudos de mercado estão “falsificados” e que são fabricados pelos meios de comunicação que ele acusa de lhe fazerem oposição.

Joe Biden reagiu de imediato, dizendo que “quando Trump perder as eleições, haverá quem o escolte para fora da Casa Branca”, mostrando confiança nos militares que “saberão respeitar a vontade do povo”, depois das eleições marcadas para dia 03 de Novembro.

A verdade é que no Partido Republicano, os estrategos olham com preocupação para os números dos índices de popularidade do Presidente, que começaram a cair vertiginosamente à medida que a gestão da pandemia falhava em mostrar resultados.

As manifestações de protesto pela morte do afro-americano George Floyd, asfixiado quando estava sob escolta policial, em Junho, em Minneapolis, vieram agravar ainda mais a imagem de Trump, que rodeou a Casa Branca de um forte dispositivo policial e ameaçou mandar o exército para as ruas das cidades mais afectadas pelas demonstrações anti-racistas.

Apesar de dizer que ignorava as más sondagens, Trump adaptou a estratégia presidencial em tempos de campanha eleitoral: passou a usar máscara de protecção em locais públicos (depois de ter andado meses a criticar a sua obrigatoriedade) e recuperou as sessões de esclarecimento sobre a pandemia (que tinha interrompido quando a luta contra o novo coronavírus se tornou mais difícil).

Mas foram as manifestações anti-racistas, que muitas vezes degeneravam em violência, que deram o mote para a campanha de Trump e o trunfo que os democratas mais temem: a defesa do Estado de ordem e segurança.

O Presidente acusa os autarcas e governadores do Partido Democrata de gerirem as cidades e os estados com mais elevados índices de criminalidade e disponibilizou-se para enviar forças paramilitares para essas zonas mais difíceis, citando o aumento de número de homicídios como exemplo de falta de “ordem e segurança”.

Joe Biden percebeu, nesse momento, que Trump não voltaria a usar o trunfo da imigração ilegal, nem o ‘slogan’ “Tornar a América Grande Outra Vez”, e teve de se defender da acusação de pretender tirar financiamento às forças de segurança.

O candidato democrata foi ao terreno do adversário republicano, dizendo que o Presidente estava a tentar militarizar a segurança e chamando a atenção para o perigo de haver polícias descaracterizados a deter cidadãos que se manifestam pacificamente.
Joe Biden tenta também aproveitar as hesitações e os volte-faces do Presidente no combate à

pandemia e contou com a colaboração do ex-Presidente Barack Obama (de quem foi seu vice) para gravar um vídeo em que os dois democratas criticam a forma como Trump se desresponsabiliza dos maus resultados, com os Estados Unidos a tornarem-se o país do mundo mais afectado pelo novo coronavírus.

“Nunca da nossa boca saiu a expressão: Isso não é nada connosco!”, diz Obama nesse vídeo, em que aparece pela segunda vez a apoiar a candidatura de Joe Biden.

Os democratas acusam ainda Trump de ser pouco claro relativamente à forma como se refere à possibilidade de alguns Estados votarem exclusivamente por correspondência, por causa da pandemia, depois de o Presidente ter afirmado que essa metodologia constitui uma “deturpação do regime democrático”.

Biden já veio dizer que a Constituição permite essa forma de votação e junta a sua voz à de outros candidatos, que aparecerão nos boletins de voto, como é o caso de Jo Jorgensen, do Partido Libertário, e de Howie Hawkins, do Partido Verde, que não terão possibilidade de vencer, mas que querem fazer a sua voz ser ouvida.

De resto, os eleitores não sabem ainda em quem mais poderão colocar uma cruz, perante uma pandemia que parece ter atrasado todo o processo democrático – ainda nas últimas semanas o ‘rapper’ Kanye West anunciou a sua candidatura, num evento bizarro e dramático, mas sem nenhuma certeza de que ainda vá a tempo de colocar o seu nome anos boletins de voto, muito menos se terá tempo para ganhar visibilidade política.

O candidato democrata também tem tido problema em se afirmar, com vários estudos de mercado a revelar que os seus eleitores apenas o escolhem porque querem derrotar Donald Trump.

Os dirigentes democratas não escondem a preocupação com a falta de visibilidade do seu candidato, que esteve “escondido” grande parte da fase de confinamento por causa da pandemia e que parece ter dificuldade em impor a sua agenda, para além de denotar fragilidades físicas e de lucidez, mostrando ter dificuldade em terminar algumas frases e em desenvolver ideias.

Para contrastar, Trump gabou-se numa recente entrevista televisiva do seu “fantástico desempenho” num teste de inteligência e memória, tentando afastar os rumores, fomentados por alguns testemunhos publicados em artigos e livros, de que estaria esgotado mentalmente.

Mas, nas sondagens, os eleitores dizem estar mais preocupados em saber o que vai suceder à economia dos Estados Unidos, com os números do desemprego em níveis muito elevados e um sistema de saúde que parece pouco preparado para uma eventual segunda vaga da pandemia.

Inforpress/Lusa/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos