Extradição de Alex Saab: Defesa vai recorrer da decisão do Tribunal de Relação de Barlavento

Mindelo, 04 Ago (Inforpress) – O advogado do cidadão venezuelano Alex Saab confirmou que vão recorrer da decisão do Tribunal de Relação de Barlavento de o extrair o venezuelano para os Estados Unidos de América, a fim de ser julgado nesse país.

“Fomos notificados da decisão do tribunal ontem (segunda-feira) e temos um prazo de dez dias para entregar o recurso e vamos fazê-lo dentro do tempo”, salientou João do Rosário à inforpress.

Segundo a mesma fonte, a decisão do Tribunal da Relação de Barlavento “não agradou” à defesa, uma vez que “não há crime e nem motivo para a extradição”.

Os três juízes do Tribunal de Relação do Barlavento, em acórdão de 31 de Julho, decidiram pela extradição do cidadão venezuelano Alex Saab Nain Moran para os Estados Unidos de América, a fim de ser julgado nesse país.

Segundo o acórdão a que a Inforpress teve acesso, nos EUA aquele cidadão venezuelano, natural da Colômbia, vai ser julgado por oito crimes, sendo um de “conspiração para cometer lavagem de dinheiro” e sete de “lavagem de instrumentos monetários” referenciados no despacho da acusação dos autos e no pedido formulado pelo Ministério Público.

O Governo da Venezuela, num comunicado divulgado, considerou “arbitrária” e uma “violação do direito e das normas internacionais a detenção do empresário (de nacionalidade colombiana e venezuelana), pelas autoridades policiais cabo-verdianas, na ilha do Sal, “, tal como as “acções de agressão e cerco contra o povo venezuelano, empreendidas pelo Governo dos Estados Unidos da América (EUA)”.

Por seu turno, a ministra da Justiça cabo-verdiana afirmou que a decisão sobre o pedido de extradição do empresário Alex Saab foi baseada num parecer do Ministério Público e que o Governo “não se intromete”.

“Cabo Verde tem um dever de cooperar. Esse dever de cooperação é mais forte tratando-se de matérias ligadas a crimes relacionados com tráfico de droga e com lavagem de capital. Nós respondemos a um pedido de colaboração internacional e a partir daí o processo segue a sua tramitação judicial”, afirmou a ministra da Justiça, Janine Lélis.

Alex Saab Morán, dedito em Cabo Verde no passado dia 12 de Junho, é acusado pelos EUA de negócios corruptos com o Governo do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

O empresário foi detido quando o seu avião fez uma paragem para reabastecimento no aeroporto do Sal, num voo de regresso ao Irão, após uma viagem à Venezuela.

O empresário é considerado pelas autoridades norte-americanas como testa-de-ferro de Nicolás Maduro, embora essa descrição não apareça em nenhum processo judicial e o Presidente venezuelano nunca tenha sido alvo de qualquer acusação relacionada com o empresário colombiano.

Saab era procurado pelas autoridades norte-americanas há vários anos, suspeito de acumular numerosos contratos, de origem considerada ilegal, com o Governo venezuelano de Nicolás Maduro.

Em 2019, procuradores federais em Miami, nos EUA, indiciaram Alex Saab e um seu sócio, por acusações de operações de lavagem de dinheiro, relacionadas com um suposto esquema de suborno para desenvolver moradias de baixa renda para o Governo venezuelano, que nunca foram construídas.

LN /JMV
Inforpress/Fim

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