‘Expedição Oceania Mar Azul’ toma pulso dos problemas e soluções no acesso à água em Cabo Verde

Cidade da Praia, 03 Dez (Inforpress) – Um grupo de oito jovens que integram o projecto ‘Expedição Oceania Mar Azul’ está em Cabo Verde a constatar ‘in loco’ problemas e soluções de Cabo Verde no que tange ao acesso à água.

Em declarações à imprensa, hoje, na Cidade da Praia, o porta-voz do grupo, Santiago Garcia, afirmou que, por aquilo que viram por onde passaram, mais precisamente nas ilhas do Sal, Maio e Santiago, Cabo Verde está “num processo de melhoramento” da depuração natural da água e “as pessoas estão a tentar perceber todas as informações e aprender”.

“O objectivo é conhecer os problemas do mundo e também as soluções. A ideia é conectar as pessoas e as soluções. Partilhar as soluções de cá com, por exemplo, Tailândia ou qualquer outro país do mundo. Fazer com que toda a gente conheça os problemas e as soluções de Cabo Verde”, explicou.

A Expedição Oceânia Mar Azul é uma viagem audiovisual à procura de soluções em torno dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a partir da ciência, do diálogo e da convivência, que utiliza o entretenimento e o lazer como alavancas para gerar mudança de comportamento.

O seu objectivo final é envolver a cidadania e as empresas na consecução dos objectivos da agenda 2030 das Nações Unidas, coincidindo com a realização em Espanha do COP25.

Trata-se de uma oportunidade única para que as empresas possam juntar-se à acção e à missão estabelecidas pelas Nações Unidas com a Agenda 2030 e pela qual Oceânia é hoje uma realidade, com base em quatro eixos fundamentais: conectar a população com a Agenda 2030 e os ODS, gerar alianças, motivar a mudança pela positiva e sempre sob a insígnia da ciência e da tecnologia.

O projecto conta com o apoio do Alto Comissionado para a Agenda 2030 do Governo de Espanha e das ordens de biólogos, químicos, geólogos e físicos e com a colaboração do Centro Superior de Investigações Científicas, Universidade Politécnica de Madrid, entre outras entidades.

Para o técnico do Instituto Tecnológico das Canárias, Gilberto Martel, que está a acompanhar o grupo em Cabo Verde, esta vinda ao arquipélago é muito importante para dar visibilidade o que está sendo bem feito em Cabo Verde na matéria de acesso e distribuição da água.

Segundo argumentou, Cabo Verde tem “muitos problemas” de acesso a água e tratamento de águas residuais para o saneamento básico, situações que, conforme referiu, está se agravando com as mudanças climáticas, exigindo novas soluções práticas para se atingir os objectivos de desenvolvimento sustentável.

“Um exemplo claro” em que se está a aposta em novas soluções, disse, é na ilha do Sal, onde graças à Águas de Ponta Preta, é possível ver como é que é feito um “bom trabalho” para dessalinizar água, tratar água residuais e reutilizar.

Gilberto Martel falou ainda na ilha do Maio, onde, com o apoio da União Europeia, se está a trabalhar numa dessalinizadora “totalmente sustentável” ou sustentada com energias renováveis.

E no que diz respeito à ilha de Santiago, este técnico falou em “projectos importantes”, pensados para fazer face à problemática da seca, que passam pelo bom tratamento de águas residuais, através da rede de esgoto, como é o caso da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Santa Cruz.

“Agora, com a Cooperação Espanhola vamos estar a apoiar um projecto similar em Santa Catarina”, acrescentou Gilberto Martel, completando que se está a trabalhar, conjuntamente com a Agência Nacional de Água e Saneamento, para introduzir um sistema de apoio à rega.

Neste último caso, explicou, se trata de um sistema de rega introduzido dentro do solo para levar água directamente à raiz da planta, para evitar, desta forma, que a água vá à superfície e se evapore.

GSF/CP

Inforpress/Fim

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