Ex. vítima de VBG aconselha pessoas que passam por traumas emocionais a reconhecerem o problema e a procurar ajuda (c/áudio)

Cidade da Praia, 22 Nov (Inforpress) – Celina de Pina, uma americana de ascendência cabo-verdiana, que foi vítima de Violência Baseada no Género, defende que o primeiro passo para solucionar o problema de traumas emocionais é reconhecer o problema e procurar ajuda de um psicólogo.

Celina de Pina, que actualmente trabalha nos Estados Unidos da América, com crianças vítimas de traumas de abuso sexual, falava hoje em declarações à Inforpress, na cidade da Praia, momentos antes de participar num workshop sobre “Traumas emocionais e suas consequências”.

O workshop promovido pela Associação Cabo-verdiana de Luta Contra a Violência Baseada no Género (ACLCVBG), em parceria com o Palácio da Cultura Ildo Lobo, é realizado no âmbito dos 16 dias de activismo que este ano é comemorado sob o lema “Hear me too”.

Segundo a autora do livro “5 keys to emotional oneness”, superar o trauma é “difícil” e é um processo longo que precisa de apoio de um psicólogo e que não é possível ser ultrapassado sem apoio clínico.

Mesmo se essa vítima não chegue a reconhecer que tem um problema, Celina de Pina aconselha as pessoas que estão à sua volta a estarem cientes dos sintomas que esta vítima apresenta, desde a maneira como se comportam, como vivem, os seus pesadelos, e as visões que podem estar a ter com coisas que os perturbam, a ansiedade, a depressão, entre outros.

O trauma emocional, afirmou, não afecta só a vida da vítima, mas de toda a família, inclusive as crianças que podem desenvolver, posteriormente, algum comportamento estranho, e neste sentido, aconselha à família a estar mais atenta ao comportamento das crianças.

A mesma fonte aconselha as pessoas que estão a apoiar essas vítimas a criarem uma certa confiança para que a vítima possa chegar numa fase de conseguir se abrir, pois, só assim poderão ter uma recuperação.

Para Celina de Pina, uma pessoa que sofre de trauma, caso não procure tratamento pode ter consequências graves, como a depressão, o suicídio, o uso de drogas, problemas psicológicos e ainda podem passar constantemente pelo mesmo sofrimento.

Por sua vez, Virgínia Mendonça, membro da Associação Cabo-verdiana de Luta Contra a Violência Baseada no Género, partilha a mesma opinião de Celina de Pina, de que se essa pessoa não “botar para fora”, o seu problema pode ter consequências graves futuramente.

Com este workshop, afirmou, vão deixar pistas para que as pessoas possam saber como enfrentar os seus problemas, os seus medos e os seus traumas e poderem “tocar o dedo na ferida”, pois, defendem, só assim poderão estar em condições de procurar apoio e solucionar o problema.

A Associação Cabo-verdiana de Luta Contra a Violência Baseada no Género, informou, tem recebido várias pessoas que são vítimas de violência física e psicológica, vítimas de assédio sexual, entre outros, e por causa disso essas pessoas têm a probabilidade de desenvolver traumas, assim como as suas famílias.

Como resposta, Virgínia Mendonça disse que a associação tem buscado encorajar essas pessoas, prestando serviço de assistência psicológica, social e jurídica e ainda tem promovido conversas abertas nas escolas e realizado diversos workshops.


AM/ZS

Inforpress/Fim

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