Ex-trabalhadores do Novo Banco deixam a instituição de lágrimas nos olhos

 

Cidade da Praia, 28 Abr (Inforpress) – Um grupo de trabalhadores do Novo Banco (NB), com  lágrimas nos olhos, despediram-se hoje desta instituição financeira com concentração promovida pelo Sindicato de Instituições Financeiras (SIF).

“Vamos para a casa com um sentimento de mágoa e tristeza. São cerca de sete anos de dedicação inteira e, de repente, sentimos algo como se nos fosse retirado um tapete”, assim resumiu Ana Correia, porta-voz dos que terminaram nesta sexta-feira, 28, o seu vínculo com o NB.

Os restantes trabalhadores vão ser despedidos em finais de Maio e Junho, respectivamente.

Em frente do Novo Banco, nesta sexta-feira, o ambiente era de luto para todos os que vão deixar a instituição. Aliás, um dístico ali colocado anunciava para os transeuntes: “Estamos de luto”.

“Temos um sentimento de frustração”, afirmou Ana Correia, precisando  que do grupo “72 por cento são mulheres solteiras e chefes de família que vão para o desemprego”.

Quanto às negociações em curso, assegurou que “estão aquém  das expectativas dos trabalhadores  e que “ninguém  quis ver o lado humano”.

“Todos preocuparam-se apenas com o activo do Novo Banco e nós, enquanto activo, fomos simplesmente excluídos” , indicou Ana Correia, defendendo que os responsáveis deviam ser “mais ponderados” nas negociações, já que, diz ela, vão para o desemprego e “sem a previsão de encontrar um trabalho”.

“E, nós, que temos créditos de longo prazo, como é que ficamos?”, lamenta a ex-funcionária do NB, que fez algum  esforço para conter as lágrimas.

À pergunta com que sentimento deixa a casa onde laborou durante cerca de sete anos, respondeu: “É com uma profunda tristeza”.

O primeiro grupo despedido é constituído por  34 trabalhadores.

O líder do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Financeiras, que representa a classe, Aníbal Borges, garantiu à Inforpress ter recebido da administração do BCV  uma proposta de indemnização  de apenas 20 dias, o que considera “injusta”, pelo que o seu sindicato já remeteu uma proposta de 40 dias por cada ano de serviço.

O Novo Banco foi alvo de resolução por parte do Banco de Cabo Verde, que é a entidade reguladora das instituições financeiras.

São accionistas do Novo Banco, o Estado de Cabo Verde que tem uma participação de 42,33%, o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) com 28,28%, a com CECV 11,76%, os Correios de Cabo Verde com 7,35%, a Imobiliária Fundiária e Habitat (IFH) com 7,35% e o Banco Português de Gestão com 2,94%.

LC/AA

Inforpress/Fim

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