Ex-Presidente do Senegal pede cancelamento de eleições presidenciais de dia 24

Dacar, 06 Fev (Inforpress) – O ex-Presidente senegalês Abdoulaye Wade defendeu o adiamento das eleições presidenciais e regionais marcadas para o próximo dia 24, apelando para um protesto pacífico contra o escrutínio, que considera favorecer o actual chefe de Estado.

Para o antigo chefe de Estado do Senegal, que liderou o país entre 2000 e 2012, o processo tem sido “fortemente inclinado” a favor do actual Presidente, Macky Sall.

Abdoulaye Wade, de 92 anos, considerou, na terça-feira, que Macky Sall tem utilizado o Estado para bloquear a participação de vários opositores nas eleições de 24 de Fevereiro, exemplificando com o caso de Khalifa Sall, antigo líder de Dacar – e que não está relacionado com Macky Sall -, e do seu próprio filho, Karim Wade.

Segundo os media locais, o Partido Democrático Senegalês (PDS), partido fundado por Abdoulaye Wade, está a preparar, em conjunto com outros grupos políticos, um “programa de acção” para a véspera das presidenciais.

Abdoulaye Wade apelou ao actual Presidente, Macky Sall, seu sucessor na liderança do país, para que este criasse uma comissão nacional para uma transição democrática.

Na opinião do antigo líder senegalês, o actual Presidente criou “um risco sério de desestabilizar o Senegal” ao tentar a reeleição para um segundo mandato de sete anos.

O Tribunal Constitucional do Senegal aprovou as candidaturas de cinco candidatos: o actual Presidente, Macky Sall, o opositor Ousmane Sonko, o ex-primeiro-ministro Idrissa Seck, o advogado Madické Ninag e o líder do Partido pela Unidade e Congregação (PUR), El Hadji Sall.

Macky Sall procura a reeleição depois de ter vencido a segunda ronda das últimas eleições presidenciais, em 2012, com pouco mais de 1,9 milhões de votos (65,8%), depois de na primeira volta ter sido o segundo candidato com mais votos, atrás de Abdoulaye Wade.

Numa lista provisória publicada inicialmente pelo Tribunal Constitucional do Senegal, constavam as candidaturas de duas figuras proeminentes da oposição, o ex-presidente da Câmara de Dacar Khalifa Sall e o ex-ministro Karim Wade, tendo sido ambas excluídas devido a condenações por peculato.

Khalifa Sall foi condenado em 2018 a cinco anos de prisão e multado em cinco milhões de francos CFA (7.625 euros) por falsificação de registos comerciais e documentos administrativos, fraude fiscal e lavagem de dinheiro.

Por sua vez, Karim Wade, filho do ex-Presidente Abdoulaye Wade, foi condenado em 2015 a seis anos de prisão e uma multa de 138.000 milhões de francos CFA (210 milhões de euros).

Em 2016, Karim Wade foi indultado por Macky Sall, embora tivesse mantido a multa e, após a sua libertação, foi para o exílio no Qatar, até que decidiu voltar em 2018 para se apresentar como candidato.

No entanto, de acordo com o código eleitoral senegalês, se uma pessoa for condenada à prisão por cinco anos ou mais não pode votar e, consequentemente, não pode candidatar-se.

Além de presidenciais, os senegaleses votam no mesmo dia para as eleições regionais, municipais e rurais.

Lusa/Inforpress

Fim

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