Ex-presidente do conselho de administração da TACV reconhece que handling foi “mau negócio” para a companhia

 

Cidade da Praia, 11 Abr (Inforpress) – O ex-presidente do Conselho de Administração da TACV, João Pereira Silva,  reconheceu hoje, em declarações na audição na Comissão Especializada das Finanças e Orçamento do Parlamento, que o negócio da handling “foi mau” para a transportadora aérea nacional.

O ex-gestor da TACV, à saída da audição, no entanto, deixou transparecer perante os jornalistas que ficou com vontade de dar mais esclarecimentos sobre a companhia de bandeira e só não o fez porque os deputados assim não entenderam.

“Convidaram-me para vir cá (Parlamento) e tive a oportunidade de esclarecer algumas coisas e há muito mais coisas por esclarecer, mas acho que teremos tempo para isso”, foi com estas poucas palavras que João Pereira Silva quis responder às perguntas dos jornalistas presentes, deixando, no  entanto, transparecer que “todos são poucos para salvarem a companhia nacional de bandeira”.

Durante a audição, ao ser confrontado com o arresto do Boeing 737, na Holanda, durante a vigência da sua gestão,  Pereira Silva reconheceu que esta situação teve “consequências muito gravosas” para a TACV, nomeadamente em termos de imagem.

“Todos os credores são obrigados a registar e nenhum gestor, sobretudo quando ele não é dono de empresa, vai dar crédito quando se está nessa situação”, disse, acrescentando que o problema de crédito  que, por si só, era “dificílimo”,  agravou-se com arresto do avião da TACV.

Segundo ele, qualquer companhia  que sofra o arresto de uma aeronave, por incumprimento contratual,  sofre “imensamente em termos de imagem”, além de outras consequências de ter que alugar um outro avião para cumprir o seu programa comercial.

“Além de cumprir o programa comercial, fica em dificuldades para obter outro leasing e, portanto, fica em grandes dificuldades para expandir-se”, afirmou o antigo gestor da TACV.

Revelou, por outro lado,   que em 2015 tinha um “programa ambicioso” de ligar todas as ilhas “praticamente todos os dias”. Daí ter dado instruções no sentido de qualquer peça a ser retirada do ATR,  que se encontrava imobilizado, para ser colocada num outro aparelho operacional, fosse submetido à sua autorização.

Lamenta, entretanto,   não ter podido levar a cabo os seus planos de reestruturação da transportadora aérea nacional por falta de financiamento, uma vez que a companhia, por seus meios próprios,  não consegue.

Quanto à situação financeira da empresa, lembrou que há “uma data de anos”,  para a renovação  do certificado de operador aéreo e da respectiva licença,   se pede uma declaração de conformidade financeira,  que é emitida pelo departamento  de regulação económica  da Agência de Aviação Civil (AAC).

Segundo ele, há vários  anos  que a AAC vem dizendo que, das análises feitas às contas da TACV, se constatou que a operadora aérea “não possui capacidade económica e financeira para cumprir com as obrigações requeridas… pelo decreto-regulamentar que aprova o regulamento relativo  à concessão, manutenção de licenças de exploração das transportadoras aéreas”.

Para contornar a situação, prosseguiu,   a anterior direcção da TACV pedia ao Ministério das Finanças no sentido de emitir uma declaração, “garantido que disponibilizará todos os recursos necessários para a garantia  da segurança operacional da companhia”.

“A Agência da Avião Civil responsabiliza este pessoal mais velho (da TACV)  pela situação de segurança operacional extremamente difícil a que a companhia chegou, a ponto de se negar  a renová-la o certificado de operador aéreo”, indicou João Pereira Silva, para justificar a substituição do comandante Socorro na direcção  do Departamento de Operações de Voos, um piloto que ele mesmo tinha nomeado para tais funções.

“O director das operações de voos  é um dos cinco postos da companhia de aviação que tem que ter o aval  da reguladora, neste caso a Agência de Aviação Civil”, concluiu João Pereira Silva, para explicar que não despediu nenhum piloto.

Esclareceu, ainda, que durante a sua passagem pela TACV se registou um  caso de um  piloto que deixou de voar por “falta grave cometida” e  um outro que não conseguiu obter o mínimo de classificação para transitar para aparelho Boeing -737.

Em relação a este último caso, explicou que o piloto tinha duas alternativas: ou deixava de voar ou então passava para o avião ATR em situação de co-piloto e não de comandante, até ter uma outra oportunidade.

LC/AA

Inforpress/Fim

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