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Ex-Presidente da África do Sul acusa EUA e Reino Unido de tentarem afastar Mugabe

Joanesburgo, 18 Set (Inforpress) – O ex-Presidente sul-africano Thabo Mbeki acusou os Estados Unidos da América e o Reino Unido de terem tentado afastar o antigo chefe de Estado zimbabueano Robert Mugabe, assinalando que Londres admitiu o uso de força.

Em declarações publicadas hoje pela imprensa sul-africana, Thabo Mbeki, que liderou a África do Sul entre 1999 e 2008, refere que foi alvo de pressões externas para apoiar a queda de Mugabe após as eleições presidenciais no Zimbabué em 2002.

“O Reino Unido e os Estados Unidos estavam particularmente interessados em que Mugabe não participasse na corrida eleitoral à presidência e contactaram-nos para fazer esta proposta que havia de encontrar um caminho para assegurar que não concorreria”, disse o segundo Presidente democrático da África do Sul, citado hoje pelo diário The Citizen.

As declarações de Mbeki, feitas em Durban, durante uma cerimónia de homenagem a Mugabe, que morreu no dia 06 de setembro, em Singapura.
A homenagem foi organizada pelo partido de Mbeki, o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla inglesa), o antigo movimento de libertação a que pertenceu o histórico líder sul-africano Nelson Mandela, e foi testemunhado por centenas de militantes e por uma delegação proveniente do Zimbabué.

Esta não é a primeira vez que o antigo chefe de Estado endereça estas pressões externas que pretendiam afastar Mugabe, que liderou o Zimbabué na sua independência e que viria a liderar o país por 37 anos, até ser afastado, no final de 2017, embora desta vez tenha sido claro nas suas denúncias.

“Tivemos muitas interações com eles. No final, o Governo britânico de Tony Blair disse que estava pronto para usar a força para afastar Robert Mugabe”, acrescentou o ex-Presidente sul-africano.

“Blair disse que não se livraram de Mugabe porque não era prático, já que os países africanos vizinhos mostravam apoio persistente e ter-se-iam oposto a qualquer ação”, disse, sublinhando: “De facto, nós opusemo-nos, fortemente, porque dizemos que o povo do Zimbabué tem o direito de decidir o seu próprio destino”.

Mbeki deixou elogios a Mugabe, considerando que “foi um grande patriota, um defensor da independência de África, dos interesses de África”, e que este era “de princípios e muito corajoso”.

Mugabe morreu aos 95 anos, em Singapura, onde estava internado num hospital desde abril, devido a doença.

Depois de 37 anos marcados por uma forte repressão de adversários, ausência de liberdades e por uma grave recessão económica, Mugabe foi destituído no final de 2017, através de um golpe militar não violento.

Inforpress/Lusa/Fim

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