Ex-PR Cabo Verde pede aposta nas instituições para “Estado forte e de confiança”

 

Marraquexe, Marrocos, 09 Abr (Inforpress) – O antigo Presidente de Cabo Verde Pedro Pires considera que garantir uma boa governação em África passa por uma aposta nas instituições para garantir um “Estado forte, eficiente e de confiança”.

Pedro Pires defendeu, em entrevista à Lusa, que um “Estado forte e eficiente deve ter instituições fortes e eficientes” e “confiança e credibilidade”.

A governação em África foi tema de debate durante três dias no “Fim de Semana da Governação Ibrahim”, promovido pela Fundação Mo Ibrahim, e que termina hoje em Marraquexe, Marrocos.

“Por vezes, insiste-se muito nas pessoas, mas é preciso insistir nas instituições, dar atenção às instituições”, referiu o antigo chefe de Estado cabo-verdiano, um dos quatro laureados, nos últimos dez anos, com o prémio de excelência na governação africana atribuído pela fundação.

Garantir uma “boa gestão” é um esforço que “vai levar gerações” a alcançar, considerou Pires, que assinalou que deve ser a sociedade a produzir os líderes de excelência, e, para tal, “deve modernizar-se”.

Por seu turno, o antigo Presidente moçambicano Joaquim Chissano, o primeiro laureado com o prémio de liderança em África, em 2007, disse à Lusa que “a boa governação é apresentar resultados, se se faz alguma coisa que é boa para o povo”.

No entanto, Chissano comentou que, actualmente, “a boa governação está estandardizada, com terminologias de Estado de direito, respeito pelos direitos humanos, transparência” e os governantes têm sobre si “holofotes que não havia antes”.

Sobre o facto de, na última década, o prémio de excelência na governação em África só ter sido atribuído quatro vezes – um das quais como distinção honorária a Nelson Mandela, antigo Presidente sul-africano -, o ex-líder moçambicano considerou “um ritmo bom”.

“O critério do prémio não é distribuição de prémios a todo o custo a Presidentes que acabam o seu trabalho, por melhor que o tenham feito. O critério é a excelência”, referiu.

O quarto laureado foi o antigo Presidente do Botsuana, Festus Mogae.

Durante três dias, a Fundação Mo Ibrahim promoveu um encontro em Marrocos, reunindo líderes políticos, responsáveis de organizações multilaterais e regionais e representantes do mundo empresarial e da sociedade civil, para debater o tema “África num ponto de viragem”.

A Fundação Mo Ibrahim, que se dedica há dez anos a promover a liderança e a boa governação em África, publica anualmente o Índice Ibrahim de Governação Africana, que recolhe mais de cem indicadores sobre todos os países africanos.

Lusa/Inforpress/fim

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