Ex-deputada diz-se “envergonhada e diminuída como cidadã” por causa da suspensão de mandato de deputado (c/áudio)

Mindelo, 29 Jul (Inforpress) – A ex-deputada eleita pelo círculo de São Vicente Filomena Vieira disse, no Mindelo, que se sente “envergonhada e diminuída como cidadã” por causa da suspensão do mandato de Amadeu Oliveira, aprovada no parlamento.

Filomena Vieira, que foi deputada pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) durante 15 anos, falava após a palestra proferida pelo jurista Germano Almeida sobre o caso de Amadeu Oliveira, preso preventivamente, há um ano na Cadeia Central de São Vicente, e que, nesta quinta-feira, viu o seu mandato como deputado suspenso.

Revelou que, nesse tempo, sempre teve “muito orgulho” e achou que o balanço era “positivo, independentemente dos bons ou maus momentos” no parlamento, mas, no último mandato, mudou “bastante” a sua opinião.

“Hoje, acompanhei o parlamento durante todo o dia e senti-me muito diminuída como cidadã. Senti vergonha do comportamento que eu assisti. Eu não sei se todos terão a noção da gravidade democrática do que aconteceu hoje. A musculatura democrática, a musculatura de Estado independente, autónomo, soberano, em todos os sentidos, foi profundamente agredida”, criticou

Para Filomena Vieira, com isso a mesa da Assembleia Nacional disse que a partir de hoje “qualquer cidadão corre os mesmos riscos e perigos que o Amadeu Oliveira correu” e pelos quais está na cadeia.

Segundo a ex-deputada, isso é “inadmissível” volvidos 47 anos da independência, num Estado de direito democrático, e num País que se orgulha de ser “um dos melhores governados” em África e da democracia que tem.

“Nunca pensei que pudéssemos chegar a este ponto. Eu achei que, no derradeiro momento, imperasse o bom senso e se travasse este processo. Não tenho mais nenhuma esperança, a minha esperança em termos de democracia, e do emendar da mão do parlamento e do sistema judicial foi por água abaixo”, acrescentou lembrando que “Amadeu Oliveira fez acusações gravíssimas sobre o sistema judicial que, amedronta qualquer um, mas ele não está a ser julgado sobre isso”.

Para Filomena Vieira, Amadeu Oliveira deveria ter sido julgado pelas acusações que fez e todo o sistema deveria ter sido julgado também e ter a oportunidade de revelar se tais acusações são ou não verídicas.

Conforme a professora, porque a Assembleia Nacional “já defraudou e o sistema judicial não serve neste momento”, cabe ao Presidente da República intervir, porque ele ganhou, na primeira volta, numas “eleições disputadíssimas” e  o  povo deu-lhe o mandato claro como “o principal guardião da Constituição”.

“Espero que o senhor Presidente da República intervenha de forma clara e inequívoca neste processo porque isto não é uma terra de ninguém.  Nós não estamos numa terra que não tem poderes, temos Governo, temos quatro poderes que são os pilares da democracia e eles têm que intervir. Ele terá que assumir este papel porque é a única esperança que temos neste momento”, declarou.

Segundo a ex-deputada do PAICV, “a democracia está em causa e corre sérios riscos, está flácida, a perder musculatura, vida e anima. Por isso mostrou-se disponível para todas as lutas que possa ter doravante para apoiar o Amadeu e tomar uma posição bem clara em Cabo Verde”.

CD/AA

Inforpress/Fim

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