Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

EUA vão aplicar taxas alfandegárias às importações alumínio e aço dentro 15 dias 

 

Washington, 08 Mar (Inforpress) – Os EUA vão começar a aplicar tarifas às importações de aço e alumínio dentro de 15 dias, com o Canadá e o México excluídos “por agora” destes direitos aduaneiros, anunciou hoje a Casa Branca.

O anúncio foi feito pouco tempo antes de o presidente norte-americano, Donald Trump, assinar os documentos relativos à aplicação de uma tarifa aduaneira de 25% às importações de aço e 10% às de alumínio.

O seu argumento é o de os produtores dos EUA precisarem de ser protegidos por questões de segurança nacional.

Os países afectados pelas tarifas estão a ser convidados a negociar isenções, um a um, se conseguirem resolver a ameaça que as suas exportações colocam aos EUA.

Trump decidiu avançar com esta decisão contra vários avisos de muitos dos aliados dos EUA, desde logo a União Europeia, para os risos de uma guerra comercial com consequências imprevisíveis.

Ao fim de vários dias de especulação intensa, Trump assinou, na Casa Branca, documentos controversos que marcam uma nítida viragem proteccionista, 13 meses depois da sua chegada ao poder.

A decisão foi tomada no mesmo dia em que 11 países das duas margens do Oceano Pacífico ressuscitaram, no Chile, o Acordo de Comércio Livre do Pacífico (TPP, na sigla em Inglês) dado como morto há um ano depois de os EUA se terem retirado do grupo.

O Canadá, primeiro parceiro comercial e primeiro fornecedor de aço aos EUA, vai ficar isento dos direitos alfandegários “de momento”, tal como o México. A decisão final sobre estes dois Estados vizinhos dos EUA a médio prazo vai depender em particular da renegociação em curso do Acordo de Comércio Livre da América do Norte (NAFTA, na sigla em Inglês).

Segundo um dirigente do governo dos EUA, todos os países afectados podem negociar uma eventual isenção.

O anúncio destas medidas provocou uma forte controvérsia mesmo dentro do campo republicano, onde vários congressistas não partilham a opinião de Trump de que as guerras comerciais “são boas e fáceis de ganhar”.

O principal conselheiro económico da Casa Branca, Gary Cohn, demitiu-se na terça-feira, precisamente por se opor a estas medidas.

Trump recorreu a um procedimento raramente utilizado da legislação comercial dos EUA: o artigo 232 que se apoia em argumentos ligados à defesa nacional para limitar a importação de produtos e bens pelos EUA.

Este artigo 232 foi utilizado nos anos 1970, durante a crise petrolífera e mais recentemente em 2001, no caso do aço.

“Vamos ser muito equitativos, vamos ser muito flexíveis”, prometeu Trump algumas horas antes da assinatura, garantindo que ia encontrar um terreno de entendimento com “os verdadeiros amigos” dos EUA.

Mencionando ao mesmo tempo questões comerciais e de defesa, apontou o dedo à Alemanha. “Temos amigos e também inimigos que se aproveitam muito de nós, desde há anos, no comércio e na defesa (…). Se olharmos para a NATO, a Alemanha paga 1% e nós 4,2% de um produto interno bruto (PIB) muito mais importante. Não é justo”.

Este anúncio deve provocar uma forte reacção da União Europeia, que já há vários dias insiste que uma guerra comercial seria prejudicial para todos e anunciou que está a preparar medidas de retorsão.

Os europeus exportam cerca de cinco mil milhões de euros de aço e mil milhões de alumínio por ano para os EUA.

“Já é altura de os responsáveis políticos dos dois lados do Atlântico agirem de forma responsável”, tinha exortado o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, especificando que o contencioso estaria na agenda da próxima cimeira europeia, em Bruxelas, em 22 e 23 de Março.

Bem antes da promulgação destas taxas, a União Europeia tinha preparado uma resposta. A comissária do Comércio Externo, Cecília Malmstrom, detalhou uma lista de produtos que poderiam ser taxados, para compensar em valor o prejuízo causado à indústria europeia.

Na quinta-feira, o presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, surgiu na discussão, lamentando que a escalada de medidas proteccionistas possa comprometer o crescimento.

Dos outros parceiros comerciais, Pequim já assegurou que vai “adoptar uma resposta apropriada e necessária” perante eventuais sanções comercia norte-americanas.

“Na nossa época mundializada, os que recorrem à guerra comercial escolhem o remédio mau, apenas vão penalizar os outros e a si mesmo”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi.

Inforpress/Lusa

Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos