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Estudo revela que mais de metade dos estudantes já usou da violência psicológica

Cidade da Praia, 13 Fev (Inforpress) – Mais de metade dos estudantes cabo-verdianos, correspondente a 59,9 por cento (%), já usaram da violência psicológica, ao afirmarem que já gritaram ou berraram com o seu companheiro, segundo dados preliminares de um estudo a ser desenvolvido.

O estudo sobre a Violência no Namoro está a ser desenvolvido em Cabo Verde, desde 2018, por uma equipa da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e coordenado pela especialista portuguesa nas áreas social e forense, Madalena Sofia Oliveira, junto dos estudantes do ensino superior, público e privado.

Até à data de hoje, segundo a mestre em Ciências Forenses e doutora em Psicologia, já foram inqueridos 257 jovens com uma média de idade situada nos 23 anos, mas a ideia é chegar aos 500 ou 600 alunos.

O estudo, que deverá ser concluído este ano, alerta para a existência de comportamentos abusivos nas relações de intimidade nos jovens.

A violência, para esta psicóloga, é considerada um “grave problema social e de saúde pública” e nas vésperas da comemoração do Dia dos Namorados, a investigadora revelou alguns dados preliminares do estudo que dão conta que muitos jovens já experienciaram violência nas suas relações de intimidade, através do poder, do controlo e mesmo do uso da força física.

Segundo os dados provisórios fornecidos à Inforpress, um em cada quadro estudantes, já usou da força física, ao afirmar que já empurrou ou apertou o companheiro.

Mais de metade dos estudantes, correspondente a 59,9% já usaram da violência psicológica, ao afirmarem que já gritaram ou berraram com o seu companheiro.

Ainda 28,8% dos jovens assumem que insultaram ou rogaram pragas ao seu companheiro e 26,9%, assume que já foi vítima desses comportamentos.

Os dados obtidos apontam ainda que 31,9 % dos jovens assumem que já chamou feio ou gordo ao seu companheiro e 24,5% assume que já foi vítima desse comportamento.

Outros comportamentos foram reportados quer pelos ofensores, quer pelas vítimas, tais como, atirar com objectos, acusar de ser má amante, forçar a ter relações sexuais, entre muitos outros.

Para Madalena Oliveira, estes dados provisórios devem preocupar as entidades, nomeadamente na procura de estratégias preventivas e interventivas eficazes de combate a este fenómeno.

“Há uma tendência para a escalada deste tipo de comportamentos e comprovam que a maioria destes relacionamentos violentos perdura para além dos primeiros episódios abusivos”, disse, recordando que só em 2018, morreram sete mulheres em Cabo Verde vítimas de feminicídio, número esse que, sublinhou, “não pode deixar ninguém indiferente”.

A mesma fonte, afirmou que é “meritório e de elevado reconhecimento” o trabalho que tem vindo a ser feito pelas entidades competentes em Cabo Verde, no entanto, sublinhou, “chegou a hora da sociedade civil se unir, mas também os profissionais têm que ter conhecimentos e competências que lhes permitam identificar estes comportamentos precocemente”.

“Não esquecendo que a prevenção e a educação para a igualdade são os motores de desenvolvimento, urge que se trabalhe de forma concertada e articulada com todos aqueles que têm competências nestas matérias”, afirmou.

A especialista nas áreas social e forense informou que já contactou o Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade do Género (ICIEG), a fim de avaliar a possibilidade de se estabelecer um plano de acção e dar seguimento a este fenómeno.

AM/CP

Inforpress/Fim

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