Estados Unidos é “o melhor parceiro de cooperação” que Cabo Verde poderia ter – Embaixador Carlos Veiga

Cidade da Praia, 24 Jan (Inforpress) – Os Estados Unidos da América (EUA) é o melhor parceiro de cooperação que Cabo Verde poderia ter, defendeu hoje, Carlos Veiga, sublinhando tratar-se de um “parceiro natural” pelos valores que partilham os dois países.

O embaixador de Cabo Verde nos EUA fez essa leitura à imprensa, à margem da conferência “As relações entre Cabo Verde e os Estados Unidos da América: Duzentos anos depois”, promovida pela Universidade de Cabo Verde, na Cidade da Praia, em parceria com a Embaixada dos EUA.

“Como aproveitar mais as relações com os EUA? Bom, esta conferência nos vai falar disso, mas nós evoluímos desde a ajuda alimentar que era numa situação de emergência, em que esta ajuda servia para criar postos de trabalho para os nacionais, e que caiu bem aos EUA”, disse.

Carlos Veiga referiu-se, ainda, sobre a evolução que a cooperação entre os dois países ganhou, passando de ajuda alimentar a financiamentos de projectos MCC (Millennium Challenge Corporation) e afirmou que Cabo Verde, nesta matéria, continua a ser elegível, mas numa perspectiva diferente.

“Agora já não há haverá compactos para Cabo Verde ou outros países que já tenham recebido pelo menos um, mas pode haver repartição de custos e, nessa perspectiva, podemos ter um terceiro compacto nacional”, assegurou.

Ainda no que se refere a este tipo de financiamento, referiu-se sobre os compactos regionais, mas que, segundo ele, só pode concorrer quem tenha um compacto nacional em execução.

A par disso, mencionou o facto de o arquipélago estar a estudar a possibilidade de candidatar-se aos compactos sub-nacionais, onde seria elegível, visto que possui um poder local com toda a capacidade de gerir esse tipo de financiamento.

Perante estes factos, o antigo primeiro-ministro de Cabo Verde lembrou a nova estratégia da administração americana, tema que iria também, trazer ao debate visto, segundo disse, há dinheiro para financiar o sector privado na perspectiva de se criar emprego.

Conforme o embaixador de Cabo Verde nos EUA, se o arquipélago for capaz de delinear programas adequados a essa filosofia, terá toda as chances de ser contemplado com este tipo de financiamento.

“Mas penso que em relação à nossa estratégia, Cabo Verde está relativamente confortável e, portanto, haverá possibilidade de beneficiar de parcerias em áreas de segurança e defesa cooperativa”, afirmou.

No que tange a comunidade, considera ser um reservatório de grandes competências em matéria de tecnologia, energias renováveis e turismo que podem ser aproveitadas.

Passando um olhar pelas relações económicas, Carlos Veiga falou sobre a Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA), que o país não tem sabido “tirar proveito” mesmo tendo a “bola do seu lado” e levando a que se interroga sobre o facto de que “somos bons em receber ajuda, mas não temos sabido exportar”.

“Ainda temos mais sete anos no AGOA, que devemos saber aproveitar, pois, as perspectivas a seguir é a existência de acordos de comércio livre. Cabo Verde é um dos países elegíveis e o Governo já se manifestou disponível perante as autoridades a discutir um acordo dentro do contexto continente “Free Trade Agreement” para fazer África um mercado único”, explicou.

Com essa vantagem, sublinhou o diplomata, Cabo Verde poderá ser a porta de entrada para investimentos estrangeiros que queira ter acesso ao continente, pois sustentou, o futuro é africano.

“É o continente com maior reserva de terras aráveis disponíveis, dividendo demográfico enorme, tem uma população jovem e cada vez mais formada, uma classe média a desenvolver, logo promissor para qualquer país que exporte”, justificou.

PC/CP

Inforpress/Fim

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