Estado de Cabo Verde não recebeu até ao aumento nenhum tostão da venda dos TACV, denuncia o PAICV

Cidade da Praia, 17 Dez (Inforpress) – O líder do grupo parlamentar do PAICV, Rui Semedo, afirmou hoje, citando o relatório da Unidade de Acompanhamento do Sector Empresarial do Estado (UASE), que Cabo Verde não recebeu, até ao momento, nenhum tostão da venda dos TACV.

A denúncia foi feita durante uma declaração política no Parlamento, sobre os negócios feitos pelo actual Governo no sector dos transportes marítimos e aéreos.

“Nós vendemos e pagamos ao comprador que nos deixou apenas uma promessa de pagar-nos e foi fazer a sua vida normal, alugando os seus aviões a preço de ouro e ignorando-nos totalmente”, disse Rui Semedo.

O representante do principal partido da oposição, que questiona o destino dos 48 mil contos da venda do TACV, salientou que hoje, sem avião e sem dinheiro, e com mais dívida ao parceiro ou o novo dono dos TACV, o país está mais uma vez a ser enganado pelo Governo que não disponibiliza informações concretas, não partilha as propostas e não expõe as soluções desenhadas.

Rui Semedo questiona por onde anda a Cabo Verde Airlines (CVA) que não se fez presente perante as oportunidades surgidas durante a pandemia da covid-19, com os voos de repatriamento dos cabo-verdianos e agora neste novo contexto para ligar as ilhas ao mundo.

“Os outros estão a fazer estas ligações porque os nossos famosos aviões estão, em repouso, em Miami. Informações frescas que nos chegam de Miami dizem-nos que todos os três aviões estão com água no motor o que, põe por terra a tese do um estacionamento seguro para favorecer a manutenção e poderá acarretar novos custos para a empresa transportadora”, disse.

Pior ainda, acrescentou o líder do grupo parlamentar do PAICV, é que o Estado continua a emitir avultados avales, somando dívidas sem saber ao certo que este negócio vai ter pernas para andar, enquanto os trabalhadores, estão a acumular atrasos nos seus salários, sem garantias, sem nenhuma previsibilidade e sem nenhum apoio do próprio Estado.

Neste sentido, o líder do grupo parlamentar do PAICV pediu ao Governo que esclareça o que realmente está a acontecer e que fale a verdade ao povo cabo-verdiano que é o verdadeiro dono dos recursos do país.

Em reacção à líder do grupo parlamentar do MpD, Joana Rosa, disse que quanto aos transportes, tanto marítimos como aéreos, o PAICV não tem lições a dar, já que, conforme frisou, o agora partido da oposição, deixou a companhia de bandeira, os TACV, de rastos, sem recursos sem avião para ligar os continentes.

A líder parlamentar do partido no poder questionou ainda o negócio feito pelo PAICV para devolver os dois aviões ATR que ligavam as ilhas.

Joana Rosa salientou que o actual Governo foi ousado ao privatizar a companhia de bandeira, vendendo apenas 51%, deixando que os outros 49% ficassem em Cabo Verde, com o Estado, com os trabalhadores e com os emigrantes.

Por outro lado, afirmou que o valor da venda não foi 48 mil contos e sim cerca de 100 mil contos.

“O PAICV sabe porque fala dos 48 mil contos, e sabe porque o remanescente foi uma compensação porque teríamos em termos de decisão, com a reestruturação da companhia, mandar pelo menos metade dos trabalhadores para casa e nós assumimos com Loftleidir que ficou com os 51% a responsabilidade de assumir esses trabalhadores”, explicou.

Joana Rosa afirmou que só o facto de a empresa ter ficado com os 500 trabalhadores foi um ganho para Cabo Verde, porque esses trabalhadores poderiam estar em casa sem emprego e sem salário.

Sobre o salário Joana Rosa garantiu que os trabalhadores estão a receber, embora admita que pode ter havido algum atraso.

A UCID também entrou no debate com o deputado António Monteiro a pedir ao Governo que reconheça os problemas no sector dos transportes, tanto marítimo como nos transportes aéreos inter-ilhas e internacionais.

“O Governo tentou as soluções, mas a verdade é que aquilo que temos, neste momento, demonstra que as soluções adoptadas não foram as melhores soluções. E temos de pensar que na vida todos erram. Só não erra quem não faz nada e o Governo devia assumir essa posição de humildade e admitir que as coisas não estão bem e que deve procurar outras saídas”, sustentou.

MJB/ZS

Inforpress/fim

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