Especialista portuguesa aconselha Governo de Cabo Verde a investir financeiramente nas associações sociais (c/áudio)

Cidade da Praia, 29 Out (Inforpress) –  A presidente da Associação de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Portugal, considerou hoje na Cidade da Praia, que após a criação de políticas públicas o Governo de Cabo Verde deve investir financeiramente nas associações.

Helena Mamed falava em declarações à imprensa, à margem da I Conferência Internacional para Inclusão Social, que decorre sob o lema “Deficiência no Centro da Atenção”, organizada pela Colmeia em parceria com o Governo, Organização Mundial da Saúde e entre outros parceiros e que visa debater questões relacionadas com a Inclusão social.

“O Governo de Cabo Verde tem que perceber que para nós funcionarmos precisamos de subsídios estatais. Sem dinheiro não se faz nada e isso é uma das coisas que o Governo tem que perceber. Após a consciencialização, após as políticas tem que haver um investimento financeiro” disse, sublinhando que isso é fundamental para que as instituições se desenvolvam.

Segundo Helena Mamed, a Associação de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Portugal apesar de existir há cerca de 50 anos, ainda depara com problemas de inclusão das pessoas com deficiência na sociedade.

Entretanto, disse, a COLMEIA – Associação de Pais e Amigos de Crianças e Jovens com Necessidades Especiais -, por ser mais nova ainda tem um longo desafio pela frente, apesar de terem conseguido alguns avanços.

“É muito bom verificar que o discurso que se ouve hoje da parte das entidades governamentais é completamente diferente daquilo que eu ouvi há dois anos. Ou seja, as pessoas estão muito mais sensibilizadas para a inclusão, estão muito mais sensibilizadas para o facto de a deficiência ser um tema que se coloca no centro de políticas governamentais”, reconheceu.

Um dos desafios passa pelo combate à deficiência intelectual que, no seu entender, está muito ligada à pobreza.

Neste sentido, afirmou, é necessário não só resolver o problema da deficiência no país, mas também resolver os problemas que causam a deficiência.

Segundo Helena Mamed, a associação portuguesa tem vindo a colaborar com a sua congénere de Cabo Verde à luz de um protocolo existente há dois anos, e nesta batalha, juntou, elaboraram um projecto que foi apresentado à Cooperação Portuguesa, mas que ainda não saiu do papel por falta de verba.

A associação de Portugal está envolvida na construção do novo centro de diagnóstico de apoio a pessoas com deficiência, declarou.

Abordado pela imprensa, uma das oradoras no painel “Importância da terapia reabilitada”, Aida Abreu, terapeuta da fala em França, aconselhou os professores e os profissionais de Cabo Verde a apostarem na comunicação não verbal como metodologia de trabalho com as crianças que não falam.

“Em França, para os alunos que não falam usamos a comunicação alternativa ou aumentativa, isto é, eles comunicam através da imagem”, afirmou.

A mesma especialista aconselha as pessoas a não usarem determinadas expressões para apelidar as pessoas com deficiência, pois, realçou, isso acaba por contribuir para baixar a auto estima delas.

Durante três dias, especialistas de Cabo Verde, Portugal e França vão debater, no âmbito desta conferência, temas ligados à inclusão das pessoas com deficiência.

AM/FP

Inforpress/Fim

 

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